Home Quem somos: por que precisamos de uma Sentinela Lacerdista?

Quem somos: por que precisamos de uma Sentinela Lacerdista?

Lucas Berlanza Corrêa

Não é de hoje. Não é de véspera. Não é de uma ou duas semanas, não é de cinco ou dez anos atrás. O Brasil já há muito convive com demagogos, populistas, falsários, vendedores de sonhos, que seduzem com seu palavrório eivado de jargões venenosamente simpáticos, torcem a devoção e a ingenuidade do público a favor de seus projetos de poder.

Na metade do século XX, ergueu-se, no meio político e no meio jornalístico, em terras fluminenses, um personagem augusto de nossa história, incompreendido e injustiçado até os dias que correm por contrariar os interesses desses demagogos, que lograram ocupar os principais postos de poder e construir a lógica que regeu os rumos da nossa combalida República Federativa em direção ao patrimonialismo desavergonhado e o benefício despudorado aos “amigos do rei”. Disse ele, com bravura e intrepidez, que esses agentes da mentira “atuam como ventríloquos de si mesmos, obrigam-se a emprestar ideias e até gramática aos aventureiros e desonestos para os quais o comunismo, hoje, como ontem o fascismo, é um pretexto para tomar a carteira do público, enquanto o público, de nariz para cima, contempla, cintilante, a Ideologia”.

Contra tamanha manipulação, contra essa ilusão forjada para destruir as esperanças de futuro e condenar os destinos da Pátria, o expoente parlamentar, egresso das hostes trevosas que se pôs a combater, usou as únicas armas cabíveis: as da Verdade, as dos princípios robustos da civilização ocidental, dos valores atemporais e dos fundamentos de liberdade e Estado de Direito que forjaram as nossas conquistas. Sabia ele, inspirando-se em Thomas Jefferson, que esses princípios e essas liberdades, por mais belos que sejam, não são fáceis. Construímos todos eles, erguemos, sofisticamos, mas não consolidamos. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, era o lema da legenda a que se filiou e na qual travou todas as suas batalhas para dar ao Brasil um futuro, para oferecer a ele o cumprimento de uma nobre vocação, para emancipar suas potências e fazê-lo refulgir perante o mundo e em nome da dignidade do seu povo. A batalha nunca termina. É preciso estar sempre vigilante. A sociedade precisa de SENTINELAS. Vigias que documentem, acompanhem e confrontem as imoralidades do poder estabelecido.

Ele foi um. Onde sua eloquência e sua oratória genial se faziam presentes, os interesses mesquinhos dos falsários estremeciam de pavor, o castelo de cartas das suas traquinagens se expunha, desnudo, aos olhos conscientes da crítica mais arguta. Eles o temiam. Eles o odiavam.

Infelizmente, ele se foi sem ver seu sonho, esse sim genuíno e ancorado nas melhores bases, se realizar. O país, sob muitos aspectos, fez as piores opções, trilhou sendas que o diminuíram e eclipsaram. Mas seu exemplo de dedicação e confiança permaneceu; quieto, restrito, domesticado, mas permaneceu, pronto a despertar quando a ameaça fosse grande o suficiente para o brado se fazer ouvir uma vez mais.

Cientes da sua força e da sua representatividade, eles passaram a escarnecer de seu nome, torna-lo ímprobo, repulsivo, pejorativo. Transformaram-no em insulto. Para qualquer um que ousasse discordar, que ousasse contestar os messianismos de toda sorte, as insanidades de toda sorte, que ousasse apresentar um discurso alternativo, eles diziam “LACERDISTA! Golpista udenista!”. E pronto. Bastaria isso. Ou o alvo se defendia timidamente, ou procurava demonstrar que não aceitava os apelidos, que tinha asco daquele a quem era associado, ou simplesmente se silenciava, e entregava, de presente, a vitória ao inimigo – inimigo porque não apenas discorda, como é normal entre adversários, mas rejeita a própria existência do outro.

Pois bem! Estou aqui para dizer: eu não o nego e não o rejeito. Lacerdista, sim! E daí? Não porque Carlos Lacerda seja mais um dos messias políticos a quem ele tanto combatia; não porque sejamos exatamente iguais a ele em todas as suas opiniões e posicionamentos. Sim, porque não ruborizamos por confessar nossa admiração pela sua figura e pelo símbolo que ele representa. Inspirado no seu exemplo, dentro da pequenez das minhas possibilidades, aqui prestarei minha colaboração à vigilância de que o país necessita; uma vigilância que não apenas diagnostique o erro, combata a doença, trate implacavelmente seus agentes patógenos, mas que também acredite na força da vítima de se reinventar. Que não perca a fé em um futuro para o Brasil. Por tolo que seja, não aceito perdê-la. Não acredito muito na eficácia de um combatente que não tem amor e fé incondicional no futuro da causa pela qual luta.

Udenismo, lacerdismo, eles nos atribuem? Sim! Podem nos chamar assim! Queremos que nos chamem! Nada mais sentimos diante dessa identificação além de orgulho. Orgulho da maior liderança política do Brasil República pós-Vargas, um homem que deixou extravasar sua sensibilidade patriótica e seu apreço aos ideais da melhor estirpe do liberalismo e do conservadorismo prudente e entendedor dos alicerces de uma civilização e de uma sociedade; que não tinha medo de dar nome aos bois, não se constrangia com as palavras estúpidas dos arrogantes da “justiça social” e do socialismo.

Encampamo-nos, sem rubor, sob sua marca e a bandeira da tocha udenista que o Corvo empunhava, e defendemos a restauração de um autêntico espírito público digno de uma SENTINELA LACERDISTA, que jamais durma. Defendemos que a lanterna com a qual ele ilustrou sua A Tribuna da Imprensa despeje sua luz sobre as escuridões tempestuosas de hoje. Se inspirarmos outras pessoas a caminharem sob suas pegadas, o nome do Corvo renascerá, e os corações vermelhos voltarão a ranger os dentes e se apequenar de horror perante ele. Que viva o Corvo, e que viva o Brasil!

 

6 comentários

Rogério Julio Farah abril 3, 2016 at 1:36 am

Meu pai era uma dessas sentinelas, como o é hoje meu irmão, fato este que me enche de orgulho! Líderes autênticos nunca serão esquecidos, sempre serão respeitados, justiçados, e sua memória se fará presente em tempos cruciais como o que vivemos hoje, em que a história está ocupada por líderes falsos e canalhas que haverão de receber o merecido desprezo.

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Oswaldo Henrique Teixeira de Macedo julho 29, 2016 at 8:42 pm

Uma alegria descobrir o seu site. Fui, sou e serei Lacerdista. Carlos Lacerda foi o grande político da República: original, sincero, combativo e idealista. Não há qualquer político na história da Republica que possa ser comparado a ele. Meus parabéns por cultivar o espírito deste Estadista.

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Lucas Berlanza julho 29, 2016 at 10:37 pm

Espero ainda poder fazer muito mais para cultivar a memória de sua passagem no Brasil. Grande abraço!

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Francisco Novellino setembro 30, 2016 at 12:13 am

Infelizmente Carlos Lacerda se considerava o único líder político capaz de empreender o projeto liberal que ele tanto defendia. Aliado a isso, a palavra “conciliação” não fazia parte do seu dicionário. Quando “bateu de frente” com Costa e Silva – que também aspirava a Presidência -, não tinha ninguém da classe política em quem se apoiar.

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Lucas Berlanza outubro 3, 2016 at 1:36 am

Acredito que os fatos, se não provaram que ele fosse o único capaz, provaram que quem ficou em seu lugar não logrou êxito em leva-lo adiante.

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Salomão Pamplona novembro 18, 2016 at 12:16 pm

Lucas, tentei cadastrar-me no seu Facebook. O sistema não aceitou e não consegui reverter. Mas gostaria muito de trocar algumas ideias com você. Meu email: spamplona@uol.com.br e meu Blog: http://www.universidadedavida.com.br . Admirei seu comentário sobre o relançamento do livro do Prof. Ivens Gandra. Parabéns pela coragem e dinamismo. Pamplona.

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