Alheio à realidade, pressionado pelo desespero, pela ansiedade, pelo furor da Justiça a solavancar o esquema de poder de que foi ícone e arquiteto, Lula já havia sinalizado o desejo de travar uma guerra de vida ou morte contra a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro. Ele protocolou uma representação na Procuradoria Geral da República contra o juiz. Insistindo em sua insanidade, essa semana soubemos que Lula resolveu fazer um apelo internacional.
Ele protocolou uma petição ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas denunciando a suposta parcialidade dos julgamentos e os “abusos de poder” dos procuradores e do magistrado de Curitiba, afirmando que a Convenção Internacional de Direitos Políticos e Civis foi violada. O texto vil repercute os velhos preconceitos petistas: identifica Lula como um “lutador dos direitos dos trabalhadores para o desenvolvimento econômico e social do país” cujas “honra e reputação são altas, particularmente entre os mais pobres”, mas que estaria sendo vítima de um complô entre autoridades, imprensa e as classes “média e alta” (!). Reconhecendo ser a corrupção um problema histórico no Brasil, os advogados do escroque petista têm o desplante de dizer que isso se dá embora “um estudo recente tenha concluído ser menos grave do que na maioria dos países e que tende a ser exagerada pela mídia local” – o que honestamente os números da Petrobras, por si sós, silenciam com a autoridade dos fatos.
A excrescência do texto prossegue comparando indecorosamente Sérgio Moro a um “cruzado” que “viola os direitos humanos” à caça da “Justiça”; ele estaria “consumido por um desejo de autopublicidade”, desejoso de ser descrito em “livros e revistas” como o “herói do Brasil” por sua “jornada contra a corrupção”. Da Operação Lava Jato, dizem ainda os advogados que ela “descobriu alguns casos graves de corrupção” na Petrobras, “como resultado da aparente” – isso mesmo, APARENTE – “atuação ilegal das cinco maiores empresas de construção do Brasil, que supostamente” – isso mesmo, SUPOSTAMENTE – “formaram um cartel”.
Fazendo desfilar pelas páginas da petição esse festival de distorções e canalhices, a defesa lulista relaciona as “arbitrariedades” contra as quais se revolta: a condução coercitiva de Lula em março – com o ex-presidente insistindo em sustentar que sempre esteve aberto a conversar -; a famigerada divulgação dos áudios – lembrando aqui que Lula não estava empossado em qualquer cargo que lhe concedesse foro privilegiado; e ainda a “parcialidade” de Moro – o que justificaria submeter Lula a outro juiz.
Tudo se resume a uma conclusão: Lula é uma entidade suprema e ilibada, perseguida injustamente pelos filhotes de Judas Iscariotes, Pôncios Pilatos e Caifás que o lançam ao calvário; existe uma trama diabólica urdida pelas forças da elite – e da POPULAÇÃO, porque em qualquer país do mundo, as “classes média e alta” também são parte do povo – para condená-lo. A personificação de tudo isso é um Satanás chamado Sérgio Moro. É isso que eles querem, a essa altura do campeonato, em pleno julho de 2016, vender para a comunidade internacional, clamando alucinadamente por uma intervenção estrangeira – sabe-se lá de qual tipo. Cogita-se, é claro, a busca de Lula por um asilo político.
Apesar de o móvel ser o desespero, esse seria um objetivo mais inteligente, o único que parece possível. Não me ocorre que Lula tenha condições de conseguir qualquer movimento que atravanque o processo em curso. Dilma Rousseff há de sofrer o impeachment definitivamente mês que vem. Mesmo duvidoso, o STF tem limites. Hoje, 29 de julho, junto a Delcídio do Amaral, José Carlos Bumlai e outros nomes, o ex-presidente petista foi, finalmente, transformado em RÉU. O motivo é “apenas” a trama flagrada em áudios em que esses personagens nefastos articulavam o silêncio e a fuga de Nestor Cerveró, que foi executivo da Petrobras, pretendendo livrar suas próprias reputações. As sombras do Guarujá, de Atibaia, do tráfico de influências, ainda seguem à espreita.
O macunaímico Brahma já surfou na mais tranquila das ondas; já se portou como o imperador absoluto do país, o senhor da mais retumbante das aprovações, o símbolo do sucesso. Acabou. Lutar contra a Operação Lava Jato e contra Sérgio Moro é lutar contra o povo brasileiro. Talvez, em seu delírio de grandeza, o farrapo humano que restou do deus do “prafrentismo” sindicalista, o “herói” dos “progressistas”, se recuse, até o fim, a enxergar, mas essa é uma guerra de vida ou morte que ele não pode vencer.
O xeque-mate virá. Independentemente disso, porém, o maior castigo do arrogante Lula é já ser uma página suja e virada na História. Ele terá que conviver com essa triste realidade – para regozijo do Brasil.


2 comentários
Excelente texto! Compartilho do mesmo entendimento e faço minhas todas as considerações. Parabéns!
Mais esclarecedor é impossível, sem exagero. Cabe um link com os recentes
resultados das urnas.