Recentemente mais uma mulher morreu ao tentar realizar um aborto. Quase que imediatamente ao vazar essa informação, nossos paladinos sociais vieram mostrar sua indignação pelo fato de uma vida ter deixado este mundo de forma tão crua. Nada como pôr a culpa em um inimigo quase abstrato: a religiosidade infusa na lei.
“Meu corpo, minhas regras”, dizem os apologistas do aborto. Mas o corpo da pessoa que a mulher carrega não é o dela. E agora? Então… correm para o último subterfúgio possível: o do voluntarismo extremado. Se o feto está no corpo da mulher, então ela pode fazer a sua livre vontade com ele, sendo que o corpo é dela e de mais ninguém. Seria como um espinho na carne, uma poeira nos olhos: se está incomodando, qual o motivo de não tirar? Sigamos o princípio dos brincos e anéis. Uma mulher pode ter sido responsável por uma irresponsabilidade que é furar a orelha pela segunda vez e por outro brinco enquanto estava bêbada ou drogada, mas se ela se incomodar na sobriedade, por que não tirar o brinco?
Vamos partir de princípios. Por que uma pessoa não pode simplesmente agredir outra sem mais, nem menos? Qual é o motivo de você, caro leitor, não poder dar um tapa no rosto da primeira pessoa que vê passando pela rua? Simples: a pessoa humana tem sua dignidade natural e ela deve ser preservada, afora o princípio de justiça. Seria justo agredir outra pessoa? Nem estando em um estresse inominável, ou em uma depressão profunda, nada te dá a autorização de estapear outro na rua sem o menor motivo, ou melhor: com o único motivo sendo a sua vontade.
O seu corpo não engloba o mundo à sua volta, vulgo: o mundo não gira ao seu redor. Qualquer sujeito que teve uma criação minimamente decente sabe disso. A questão é: o feto agrediu a mãe?
Muitos são aqueles que afirmam: “o feto é um parasita no corpo da mãe”. Parasita? Um parasita vem de fora do corpo, ou se reproduz dentro dele. Ele não foi gerado dentro do corpo da mãe, sendo sempre um inquilino vindo de fora. De onde veio o feto? De lugar nenhum. Ele surge no corpo da mãe a partir do embrião, este sendo em parte gerado pela mãe com todo o intuito biológico para sua criação – embrião este que, por sua vez, se tornará o feto. Se alguém confunde isso com parasitismo, está na hora de parar de tomar chá de cogumelos e deixar de pensar que já foi algo parecido com uma lombriga ou um piolho.
Dado que o parasitismo não se encaixa para descrever o feto – e toda a biologia do corpo feminino propicia a vida intrauterina – e dada a humanidade do feto – já viram algum se tornar outra coisa se não um humano? Já viram uma mulher parir um cavalo ou uma mangueira? –, o que você mata senão outro ser humano quando faz um aborto? Não tem a Justiça como princípio para te impedir de estapear qualquer um de que você (logo, seu cérebro, seu corpo) não vá com a cara? Então…
Uma mãe e um pai não tem o direito de abandonar uma criança. Caso você, mulher, esteja isolada com seu filho recém-nascido, você não tem o direito de negar leite do seu peito para ele. Sabia que, se você matar seu filho por inanição, você será presa, abortista? Não importa se é do seu corpo o leite que vem para a criança, ela é dependente de você e não há como fugir disso sem ser uma assassina.
Se o corpo não é a justificativa para praticar o aborto, então não há justificativa além da vontade filicida, o desejo de tirar o próprio filho do ventre. Há um lugar para pessoas assim, que matam outras, a cadeia.
Não faz sentido sentir pena de mulheres que querem matar seus próprios filhos e morrem, por algum motivo, no processo. A real pena é este fato: o feto de uma mulher que vai abortar morre junto com a mãe assassina… de resto, você teria pena de uma mãe que, ao tentar matar a filha, escorrega no chão e quebra o pescoço?
Eu não.

