O movimento de perda do poder político direto por parte da extrema esquerda ainda não afetou tanto quanto desejaríamos um espaço fundamental onde ela ainda se sobressai: a universidade. Entre professores e estudantes, suas ideias ainda prevalecem. Encaram, é verdade, uma crescente oposição, levantando pontos de vista alternativos que lamentavelmente não são admitidos no que deveria ser um debate aberto e saudável. Conversamos com estudantes da UFRJ que denunciaram um tipo de agressão muito ilustrativo do desespero com que os ânimos autoritários estão lidando com o despertar da maioria silenciosa. É o que contaremos a seguir.
Comentamos, em julho passado, que o drama do estudante Diego, assassinado nas dependências da universidade, estava sendo explorado pela extrema esquerda, que pretendia acusar os grupos liberais e conservadores nascentes na UFRJ pelo assassinato, que teria, a seu ver, motivação discriminatória e homofóbica – o estudante seria homossexual e nordestino. O principal alvo dessa cruzada de calúnias, encampada por professores – inclusive pela ex-diretora da Escola de Comunicação, Ivana Bentes, em sua página no Facebook, e pelo próprio jornal O Globo -, era o movimento UFRJ Livre. O estudante Ian Kury, em entrevista concedida a este blog, explicou que o movimento foi fundado na primeira metade deste ano, e ele esteve entre os membros, cuja página no Facebook conta com cerca de dez administradores, desde o começo. “Afirmo com certeza que não recebemos dinheiro de partidos políticos e não estamos especificamente ligados a nenhum partido. Esse movimento partiu dos estudantes. Também não existe nenhum tipo de orientação religiosa específica; eu, por exemplo, sou ateu. No UFRJ Livre há vários tipos de filosofias diferentes, desde um libertário, como eu, até conservadores. Aceitamos perfeitamente transexuais, negros, pessoas de todos os estados e lugares, que queiram colaborar”.
A diversidade dos membros e a tolerância inerente à pauta liberal jamais comoveram os defensores do pensamento hegemônico; como esperar o contrário de quem explorou um assassinato ainda em investigação como bandeira política para rotular de “fascista” todo um grupo de estudantes? “Nas primeiras semanas da nossa página no Facebook, já tínhamos mais de 2000 likes, e a esquerda se uniu para denunciá-la, conseguindo derrubá-la. É por isso que nossa página atual se chama UFRJ Livre 2.0. Já cresceu bastante e isso mostra que muita gente se sente representada por nós, que nos unimos por conta da frustração em ver a UFRJ dominada por uma única cor ideológica, permeando inclusive o corpo docente.”
O sucesso naturalmente incomodou, mas como o leitor verá, as coisas só pioraram de lá para cá. No último dia 4 de novembro, sexta-feira, o DCE Mario Prata organizou uma assembleia para discutir a PEC 241, as eufemisticamente chamadas “ocupações” de colégios e a conjuntura nacional da Educação. Como de praxe, os esquerdistas esperavam que somente a sua voz fosse ouvida, mas o movimento UFRJ Livre, conforme explica em nota, “estava presente para fazer oposição à maioria em forma de uma fala pacífica”. Cientes de serem a minoria dos presentes na assembleia, eles abraçaram “a oportunidade de apresentar democraticamente nosso ponto de vista e abrir um diálogo”. Um representante se apresentou para falar em nome deles. O resultado, que circulou pela Internet em vídeos de diferentes ângulos, você pode ver abaixo, na versão publicada pelo próprio UFRJ Livre:
Como o UFRJ Livre explica também textualmente, o representante foi hostilizado pelo público, mas, principalmente, por um indivíduo que “brotou da multidão, lançando-se em direção a ele de forma abrupta e agressiva. Atirou tinta vermelha contra o falante e se colocou fisicamente contra ele até os rostos quase se tocarem, empurrando nosso representante pacífico para trás, gesticulando furiosamente e berrando insanidades bem em seu rosto, na tentativa de intimidá-lo e de não deixar que falasse”. O agressor era maior e avançava para cima do orador; as consequências não eram previsíveis. Não suportando aquela situação de humilhação e agressão, outro rapaz que assistia a tudo acabou reagindo e deu um soco no agressor, afastando-o. As imagens mostram. O que as pessoas desconhecem é o restante da História.
O rapaz que desferiu o soco é o estudante Igor, membro-fundador do UFRJ Livre. Ele e Ian Kury são amigos. Ambos confirmaram que, mesmo meses depois, os estudantes de esquerda organizados estão retomando a história do assassinato do estudante Diego para demonizar o movimento e seus integrantes. Inclusive, no momento em que o discurso do representante do movimento foi interrompido com a tinta, o agressor gritou “sangue do Diego”. Permanece, portanto, a insistência em associar todos os oponentes políticos da esquerda hegemônica ao crime bárbaro – uma estratégia nada mais que vil. Igor admite que desferiu o soco, mas depois foi cercado por outros estudantes e sofreu a primeira violência física. “Uma multidão se juntou e foi atrás de mim me bater e me chutar. Muita gente me odeia lá porque fundei o UFRJ Livre e faço muita publicidade a respeito”, ele afirma.
O incidente, por si só uma reação inadmissível, não teve maiores consequências; os ferimentos de Igor não foram graves. Houve, porém, outros desdobramentos. Igor é morador da vila residencial da universidade e, durante o almoço no sábado, 5 de novembro, ele conta que foi perseguido – isso mesmo, perseguido – pelo agressor de seu colega, em quem desferira o soco no dia anterior.
Em Termo Circunstanciado de Ocorrência enviado pelo próprio Igor a este blog, depois de prestar queixa à polícia e submeter-se a exame de corpo de delito, lê-se que o autor da violência, “membro de um grupo estudantil com ideais antagônicos ao do declarante, o abordou e o agrediu com um soco na cabeça, o agarrou, derrubou e continuou desferindo socos principalmente na região da cabeça”. Ele então “conseguiu se levantar e correr para o prédio do Centro de Ciências da Saúde”, até onde foi perseguido, e onde recebeu socos e chutes novamente, o que só foi interrompido por um segurança, que apartou o ataque. O documento confirma “que o declarante apresenta escoriações na cabeça, no pescoço, na região dorsal e no joelho direito”. O acontecimento no Centro de Ciências da Saúde deve ter sido registrado pelas câmeras, o que fatalmente fará parte das apurações policiais.
Temendo ameaças e receoso de que o agressor ainda não estivesse satisfeito em sua sanha de vingança, Igor telefonou para Ian Kury, e juntos, pretendendo prestar a queixa, ainda no mesmo dia, eles confirmam que estiveram presentes em mais um episódio lamentável. É Ian Kury quem narra: “Um grupo de amigos do agressor reconheceram o Igor e vieram cheios de marra para cima de nós. Expliquei tudo e isso só os irritou mais. Um deles segurava um facão, que supostamente usava para algum projeto na universidade. Começaram a nos xingar e insultar e provocar briga. Não cedemos, e o sujeito começou a nos intimidar com o facão. Ele partiu para cima do Igor brandindo o facão”. Igor complementa que a perseguição se estendeu “do ponto de ônibus em frente à Educação Física até o bandejão”. A situação também foi normalizada pela polícia, que acabou apreendendo o objeto cortante.
O leitor pergunte a si mesmo: é esse o tipo de coisa que gostaríamos de ver em nossas universidades? É esse o tipo de ambiente que imaginaríamos, o tipo de cena que conceberíamos, em uma instituição de ensino tão importante? O azar dos bárbaros é que agora a divergência tem espaços para fazer a sua voz ser ouvida. Que todos os lados possam sempre se apresentar e ter a coragem de defender o que abraçam; esse ideal só será atingido se os hostilizados e os perseguidos não tiverem medo de se expor e tomar as atitudes cabíveis. A nós, cabe ajudar a abrir o caminho para que se manifestem.


1 comentário
Como começar…eu estava lá no dia, presenciei tudo e não foi bem assim. Esse igor e amigo foram atrás da galera do mutirão agroecológico (eu estava participando) pq tinha um garoto do alojamento (próximo do Dimy apenas pelo convívio no alojamento). Não foi com bom dia, não foi com tudo bem, nem um oi, foi com palavras agressivas que ele foi pra cima da galera. Ele não pode se fazer de santinho, pode ter seus motivos, mas foi cobrar de uma galera nada haver. Foi recebido com o garoto, vizinho do falecido Diego, correndo atrás dele pra saber qual é desses justiceiros que vieram ameaçar ele. Pra finalizar, esse igor só saiu correndo pq viu que a galera estava com um facão e só viu bem perto. Covarde ele e o amigo dele que foram cheio de bronca pra um grupo que tinha mais mina do que homem. Ninguém ameacou dle com o facão, ele que veio broncar, viu que a gente tinha uma faca e uma serra de poda, e correu. Investiguem melhor suas fontes, porfa