Longuíssima foi a espera. Árduo e demorado o calvário. Atormentadoras as consequências. O povo brasileiro vem purgando o pecado original cometido em 2002 de apostar na mediocridade, que se perpetuou com as palmas à demagogia, ao autoritarismo, ao “nós contra eles”, à divisão intransponível da nacionalidade em estamentos distanciados e desunidos que deveriam, em essência, devotar uns aos outros um ódio inevitável. Esse mesmo povo reagiu. Hoje, a figura da decadência, o símbolo maior da quebra de todos os padrões, sai de cena. Dilma Rousseff finalmente sofreu o impeachment, abandona a presidência da República e é posto fim ao ciclo de governos do Partido dos Trabalhadores.
As vozes mais precavidas se adiantam em dizer: “Não podemos ver nisto o fim”. De acordo. O estrago na cultura e nas instituições, que resulta de um processo mais antigo, de que o ciclo petista representou o momento-auge, a síntese perfeita, não está liquidado. Embora envergonhados, embora ocultando a estrela do partido em suas campanhas eleitorais, o PT continua vivo, mesmo que a marca esteja enfraquecida e maltrapilha. Seus filhotes disputam agora os seus espólios, seu barulho permanecerá a se fazer ouvir e, não apenas no âmbito federal, mas também nos estados e municípios, teremos de continuar a enfrentá-los com organização e com paixão pelos nossos ideais. O fim do governo Dilma, o ocaso do lulopetismo, é apenas o passo inicial para a reconstrução do Brasil – e o passo seguinte começa com o peemedebismo camaleônico de Michel Temer, longe da nossa efusiva aprovação, cúmplice político de tudo que se passou, mas agora investido de responsabilidade total para mostrar que tem condições de adotar as medidas saneadoras que o país reclama.
As cenas finais, nas últimas sessões de julgamento, mostraram a disposição da matilha, não para salvar sua líder abilolada e despreparada – que, em suas horas de discurso e resposta aos senadores, assassinou a Língua Portuguesa, colocou o desafeto Eduardo Cunha na Câmara dos Vereadores, comparou o “golpe parlamentar” que estaria em andamento contra ela a um fungo numa árvore, e responsabilizou até os alienígenas, menos o seu próprio governo, pela crise econômica -, mas para registrar uma narrativa que sustentará a sobrevivência política da esquerda arcaica nacional. Louvaram Getúlio Vargas como o democrata golpeado pela República do Galeão, esquecendo-se de que fora um ditador fascistóide que deportou uma mulher grávida para os campos de concentração nazistas e aplicara o golpe de Estado de 1937. Compararam Dilma a João Goulart, embora, sem entrar no mérito do processo particular de 1964, não se veja qualquer tanque nas ruas. Procuraram transmitir para as câmeras a imagem de uma líder popular injustiçada, ofendida, injuriada por canalhas que fabricaram um impasse social, à revelia total da Presidência da República. Pintaram-na como santa no Gólgota – não porque se importem com ela, que, se Deus quiser, há de se despedir da História, com a figura vexatória que representou. Sim, porque precisam manter o mito que os impulsionará para novas investidas contra o erário brasileiro.
Porém, agora, não é mais como antes. Agora estamos aqui. Olhando para frente, sabemos que o desafio é imenso, que ainda somos menores e que vamos ter que suar a camisa, provavelmente, ainda até o fim dos nossos dias. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, lembremo-nos sempre. Porém, ao contrário, olhando para trás, permitimo-nos despojar temporariamente, emocionados, desse peso que se avizinha, para a merecida comemoração. Temos motivos para nos alegrar. As gerações de brasileiros que, sentindo o drama, sacrificaram seu tempo, expuseram-se à balbúrdia dos militantes e sequazes vermelhos, que marcharam juntos pelas ruas de todo o Brasil para reivindicar a queda dos indignos, a prisão dos canalhas, a elevação da dignidade do país, a subtração da pátria das garras dos cúmplices dos comunistas e dos tiranos bolivarianos, o respiro da estética da liberdade – essas gerações merecem festejar hoje.
O impeachment foi acolhido por Eduardo Cunha, eleito como seu autor pela narrativa espúria conveniente aos inimigos da liberdade, em dezembro passado, e só agora em agosto ele chega ao fim desejado. Antes, ele, Cunha, que buscou a própria salvação, dizia não ver motivo. Mas NÓS já víamos. Enchemos as ruas em março de 2015. Preenchemos as ruas do Brasil em verde e amarelo ainda mais vezes, com o apogeu em 13 de março de 2016, a maior manifestação da história do Brasil. Somadas, as manifestações foram absolutamente insuperáveis. Escarnecem as más línguas, mas repito: o impeachment de Collor, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, a Passeata dos Cem Mil, até mesmo as Diretas Já, tudo se apaga em escala e em autonomia perante o que fizemos nesta quadra histórica, enquanto os maledicentes e os covardes destilam venenosamente a falsa ideia de que fomos, todos nós, financiados pelo FBI, pela CIA ou pelo PSDB. PSDB, cujos caciques se mantiveram reticentes e hesitantes, ou até mesmo preocupados apenas com a ação no TSE, interessados mais em suas ambições eleitorais e “carguistas” que nos destinos da pátria.
É por isso que, satisfeitos, orgulhosos por termos feito parte dos reclames pelo impeachment de Dilma, frisamos que a maior de todas as batalhas é uma batalha pela memória histórica. O marco mais importante, que temos o dever de deixar claro às futuras gerações, combatendo a desinformação e a pequenez de espírito, é este: não foi Cunha, não foi Aécio, não foi o corajoso Sérgio Moro, não foi a CIA. Nem mesmo sequer, como eles reconhecem, a brava Janaína Paschoal e os juristas Miguel Reale ou Hélio Bicudo. NÓS TODOS somos os autores da obra. Democraticamente, nós a pedimos. Nós fizemos História.
Não deixe jamais que te convençam do contrário. Não deixe que disseminem a mentira nos colégios, nos periódicos, no imaginário popular. Conte às crianças, aos seus filhos e netos. Foi você. O fim do governo Dilma tem a sua, tem a nossa assinatura. Em meio à alegria de hoje, não se esqueça jamais de impedir que a apaguem.
E vamos em frente.


2 comentários
Parabéns sentinelas lacerdistas, mbl,antagonistas jornais e revistas que esteve com o povo é pelo bem do país realmente o comentário do sentinela lacerdista e perfeito no sentido que jamais poderemos deixar aventureiros e populistas voltarem ao poder.
Parabéns ao sentinela lacerdistas pelo excelente comentário realmente o povo brasileiro está de parabéns,precisamos ficar atentos a estes populistas,contamos com sites como este, mbl antagonista jornais e revistas que lutaram pelo fim desta ditadura comunista