Seja o que for que aconteça no próximo domingo, 17 de abril de 2016, ao que tudo indica, este final de semana será o clímax das intensas emoções e tribulações políticas que temos vivido. A crise do regime lulopetista atingirá um ponto épico, em que multidões de posições contrárias (uma, a que defende o impeachment da presidente Dilma, é uma imensa multidão; a outra, a dos pelegos e pseudo-iluminados governistas, é uma pequena “multidão”) ocuparão as ruas para assistir atentamente, em telões, à votação decisiva na Câmara dos Deputados.
Os fatos que se passaram nos últimos dias desde o resultado da Comissão do impeachment atestaram a profunda desvantagem do governo. Mais partidos, como PRB e PP (o segundo maior que ainda restava na extinta base governista), se retiraram do bloco anti-impeachment. Exasperada, a presidente Dilma acusou o vice-presidente Michel Temer de golpismo, por conta do áudio que foi divulgado com um discurso em que ele antecipava o resultado de domingo. Propôs a realização de um pacto de união nacional em torno de seu governo, caso ele sobreviva, o que vem em momento demasiado tardio. Voltou a acusar de golpismo, por fim, todos os brasileiros que desejam sua queda, em gesto pouco coerente com a proposta antes mencionada.
Ontem, o STF conduziu uma longa sessão avaliando ações que pretendiam nada mais que tumultuar a votação, como a alteração da ordem de votações definida por Eduardo Cunha e a própria suspensão do evento histórico por vir. Não foi uma grande surpresa; os petistas e seus sequazes já anteveem a derrota que se avizinha e querem pedir socorro aos ministros da instância máxima, que eles consideram como sendo seus obedientes advogados. Alguns realmente parecem bastante incomodados com o processo constitucional em curso, como o próprio presidente Ricardo Lewandowski e o ministro tresloucado Marco Aurélio de Mello. O primeiro insistiu por mais de uma vez, ao longo da sessão, em que a “excepcionalidade” do processo justifica uma “preocupação” maior do STF com o assunto – o que preferiríamos chamar de intromissões incessantes e exageradas que geram inquietação e dúvidas nos que acompanham ansiosos a hora extrema. Por sorte, o juízo não foi totalmente ausente e essas mudanças de “tapetão” foram rejeitadas. Como diriam os petistas, “não vai ter golpe”. O ministro Gilmar Mendes, em mais uma de suas tiradas geniais, disse que o STF não pode salvar um governo que não tem votos no Congresso para se manter.
Em paralelo a isso, denúncias de manifestantes vindos de outros países – o que o site O Antagonista chamou de “invasão” – e a repercussão de informações de bastidores, por parte de jornalistas como Reinaldo Azevedo e Joice Hasselmann, que dão conta de que o governo pretenderia instalar o Estado de Defesa para bagunçar o coreto, vêm se somar às ameaças bufas dos “movimentos sociais” e do “exército de Stédile” de que tocarão o terror em caso de aplicação da justiça sobre a presidente Dilma. Sobre todo esse cenário, um alerta: não poderíamos mesmo pensar que essa gente entregaria os pontos tão facilmente. Não se extirpa um mal tão canceroso e entronizado sem que ele esperneie e grite. As forças do lulopetismo reagirão e, em torno delas, suas alianças esquerdistas – muitas delas, de qualquer modo, continuarão a existir depois do colapso do regime e continuaremos tendo de enfrentá-las democraticamente. Aqueles grupos que não aceitam as regras do jogo, que querem a baderna, que querem de qualquer modo estancar as infindáveis feridas do regime patológico em vigência, vão querer intimidar, vão querer assustar, vão querer ameaçar.
Não podemos permitr que nos intimidem! Tudo que poderíamos dizer, já dissemos antes de todas as demais manifestações populares de que já tivemos a honra de participar – sendo, mais do que testemunhas, agentes e construtores do futuro. Estamos vencendo a batalha. As informações mais sólidas nos jornais dão conta de que a oposição obterá os votos necessários. Entretanto, ainda não acabou. A pequenez dos injuriosos, que nos atacam com a estupidez que lhes é característica, não pode nos atingir e nos deixar acovardados. Só chegamos até aqui juntos. Só terminaremos o que começamos se continuarmos assim.
Vá para a rua neste domingo! Vista sua camisa verde e amarela, borde novamente seu coração com o fervor cívico e as cores pátrias. No dia 13 passado, comemoramos o Dia do Hino Nacional. Que ele ressoe por todo o país no dia 17. Que ele ressoe no dia da vitória sobre o PT na Câmara dos Deputados. Que ele ressoe no dia da libertação.
Mais não diremos até o dia do nosso sexto encontro marcado com nosso país – o país que queremos. Agora, as palavras se calam; a História é quem começa a falar.

