“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” Assim dizia Rui Barbosa quando se dava o alvorecer da República. Que diria hoje, quase certamente no capítulo mais vergonhoso da história brasileira? 16 de março de 2016 é um dia em que as nulidades triunfaram de tal modo que desgraçaram, com impacto real, a nossa dignidade e as nossas vidas.
As nulidades escarneceram dos milhões que estiveram nas ruas há poucos dias em todo o país; a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, citados nas delações da Lava Jato, não nos ouviram, não nos quiseram ouvir. Fingiram que não existimos e, desavergonhadamente, escancararam que nossas opiniões, nossas exigências, nossas insatisfações, nossos sofrimentos, são de todo irrelevantes. A profecia do general Figueiredo, que antecipava a desgraça que seria ter o PT no poder, se confirma com requintes de crueldade. O deprimente, o imoral, o repugnante Lula da Silva, 186 vezes citado nos depoimentos de Delcídio do Amaral, investigado pelo caso do sítio do Atibaia, do tríplex no Guarujá, da compra de medidas provisórias, pelo tráfico de influências, núcleo simbólico e prático do projeto de poder em vigência, recebeu um prêmio pelo seu mau-caratismo: foi nomeado Ministro da Casa Civil, conquistando o foro privilegiado. Terá, agora, o verdadeiro poder em mãos, tornando-se uma espécie de “Primeiro Ministro” na prática, tamanhas as atribuições que concentrará; reduzirá Dilma a uma rainha decorativa, e cumprirá, sem aprovação do Congresso, a proposta do semipresidencialismo, com as pessoas erradas.
No mesmo dia em que o STF rejeita os questionamentos da Câmara e mantém os acórdãos acerca do rito do impeachment, o que é outra notícia ruim, o governo federal ratificou sua alienação da vontade popular. O governo federal ratificou que é ocupado por uma casta de facínoras, simpatizantes e integrantes da escória da humanidade, que não dão a mínima ao sofrimento nacional, não dão a mínima aos reclames da responsabilidade, não respeitam os valores básicos da democracia liberal, e farão de tudo para permanecer com o poder sob suas garras, a despeito do que exija a população. Ainda mais: que desprezam o futuro. O desenho é que Lula provocará uma gestão baseada em populismo fiscal, acelerando definitivamente o desastre econômico e arrasando gerações de brasileiros; fará com que o governo Dilma, agora transformado em governo Lula, espezinhe as suas responsabilidades além do que já está fazendo.
A atitude é tenebrosa e revoltante, causa perplexidade, mas é um gesto de desespero de um líder decaído e fanfarrão que vê a força da lei soprar em seu cangote. As investigações continuarão, e a oposição, com ou sem mudança no rito, fará o que puder para acelerar o impeachment, pois mesmo seu amplo segmento pusilânime não terá alternativa perante a força das coisas; no começo da noite, uma manifestação foi realizada em frente ao Planalto contra as figuras mais deprimentes da nossa trajetória republicana – e da nossa história em geral -, que levaram o Brasil ao seu escalão mais baixo, e o juiz Sérgio Moro liberou áudios dos telefones grampeados dos dois entes infames em que dialogam sobre a obstrução da justiça que agora ocupa suas mentes dia após dia, sugerindo uma tentativa de agir sobre a ministra do STF, Rosa Weber.
Eles vão cair. Sabemos que eles vão cair. No entanto, não podemos diminuir em importância o que está acontecendo, não podemos cometer o erro de subestimar a dimensão da ofensa: o governo declarou guerra ao povo brasileiro, o governo declarou guerra ao Brasil. É hora de responder! É hora de agir, como nunca! Em primeiro lugar, cessando de naturalizar o que nos está sucedendo. A imprensa não pode reverberar este acinte com o Brasil, em que os petistas estão tratando um país como se fosse um circo, como se essa estultice fosse algo normal. Trata-se de uma tentativa indecente, profana, de dar um tapa na cara de toda uma nação.
Não aceito! E você?

