Aos olhos internacionais, alguns aspectos fizeram com que nosso país se destacasse: o futebol, com a Seleção pentacampeã mundial; a música popular; na fórmula 1, a imagem do piloto Ayrton Senna entre os anos 80 e 90, com fãs em todo o planeta; e, pelo menos para aqueles que se preocupam com política e relações exteriores, a diplomacia. Os desmandos da CBF e das federações estaduais, junto a um sem-número de problemas, prejudicaram o sucesso da primeira. A música foi capturada pelo endeusamento politicamente correto do medíocre. Ayrton Senna nos foi tirado pela tragédia de Ímola. E a diplomacia? Quanto a esta, os governos do PT a mataram.
Comprando brigas estúpidas com Israel e cultivando a proximidade com tudo o que é antiocidental e antiamericano, desde os regimes bolivarianos da América Latina até as tiranias teocráticas islâmicas, o Ministério das Relações Exteriores, no famoso Palácio do Itamaraty, vem envergonhando o país, valendo-lhe a alcunha de “anão diplomático” por parte da chancelaria israelense. É uma pena. Glorificado pela coesão do território de uma nação quase continental que logrou manter desde os tempos do Barão do Rio Branco e pelo prestígio de Oswaldo Aranha (não obstante seus fortes pendores getulistas), o Itamaraty padeceu da mais torpe subserviência a um projeto ideológico infeliz, depreciando os verdadeiros interesses pátrios.
Assim que logramos êxito em afastar o lulopetismo do Poder Executivo, pelo menos interinamente, a gestão Michel Temer colocou o tucano José Serra no comando da pasta diplomática. Sabíamos da eficiência técnica e do preparo de Serra, a despeito de nossas divergências ideológicas com aquele que sempre foi um dos mais esquerdistas entre os sociais democratas do PSDB. No entanto, sua atitude logo no começo da gestão nos surpreendeu.
Abraçando a ladainha dos petistas, seus tirânicos e mesquinhos parceiros no continente manifestaram sua rejeição ao novo governo brasileiro, que consideram “golpista”. Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, El Salvador, Cuba – sim, isso mesmo, Cuba, uma ditadura comunista -, a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América e a União de Nações Sul-Americanas atacaram Temer e se recusaram a admitir sua legitimidade. De fato, até semana passada, a opinião desses governos e instituições infames, que nos aprisionam ao atraso brutal, poderia ter influência significativa; hoje, se quisermos resgatar a grandeza da nossa posição diante do mundo, precisamos demonstrar nossa aversão a tudo que representam e nosso desprezo à sua absurda presunção. Pois foi exatamente o que o novo Itamaraty de José Serra fez.
Em nota rapidamente liberada, o Ministério se pronunciou, afirmando que “rejeita enfaticamente as manifestações dos governos” desses países, bem como das instituições em questão, “que se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil”, desenvolvido “em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição Federal”. A nota diz ainda que, “como qualquer observador isento pode constatar, o processo de impedimento é previsão constitucional; o rito estabelecido na Constituição e na Lei foi seguido rigorosamente, com aval e determinação do STF; e o Vice-presidente assumiu a presidência por determinação da Constituição Federal, nos termos por ela fixados”.
Duro e direto, o ministério comandado por José Serra está de parabéns por esse gesto de demonstração da convicção brasileira na correção do procedimento realizado e na grandeza da pátria, que não pode se dignar a receber “pitos” de ditadores e protoditadores paspalhos. Suspendemos nossas diferenças para congratular o ministro tucano e sua equipe pelo brio.
De pronto, o tirano venezuelano, Nicolás Maduro, usou a desculpa do “golpe” brasileiro, supostamente tramado pelos Estados Unidos, para se dizer em risco similar – por conta da tentativa de ação legal que a oposição articula para removê-lo do poder – e decretar o Estado de Defesa. Maduro atesta, dentro das suas possibilidades – maiores que as do petismo -, a verdadeira natureza e identidade do inimigo esquerdista e populista que estamos enfrentando (e derrotando).
Desde quando sequer parecia provável a alternativa do impeachment, já sustentávamos que uma das mais urgentes mudanças de que o Brasil necessitava – e não são poucas – é a reorientação da nossa política externa. Aguardamos vivamente que o Ministério continue assim e que seja ainda mais enfático – embora conservemos sempre o saudável pé atrás.

