O pedido de prisão dos figurões do PMDB, Romero Jucá, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e José Sarney – este último rendendo piadas sobre uma possível delação premiada que revelaria até o motivo da extinção dos dinossauros -, foi o assunto que fez ferver o caldeirão da política no começo desta semana. Como sempre, lá estavam os justiceiros e baluartes da moral em defesa do imaculado governo Dilma, contra o “golpe reacionário” da “gangue” de Michel Temer. Entre eles, nossa boa e velha comunista, a deputada Jandira Feghali, do PCdoB.
Hoje, parece que o jogo virou. Embora ainda não se tenha acesso a todas as informações, em boa medida, o que pesa sobre alguns desses peemedebistas investigados, com exceção de Eduardo Cunha, reside nas gravações constantes da delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Sorrateiramente, ele registrou diálogos comprometedores com os caciques do grande partido fisiológico nacional, hoje interinamente no governo. O escândalo ouriçou os petistas e seus parceiros, tentando adornar a narrativa fajuta de que o impeachment foi apenas uma artimanha para salvar os “bandidões” da ação da Lava Jato. A deputada Jandira esteve entre os que gritaram com estridência pela punição imediata de Jucá, então figurando no ministério de Temer.
Pois em matéria da coluna de Lauro Jardim, no O Globo, o jornalista comenta que Jandira “vai ter muita dor de cabeça quando for levantado o sigilo da delação premiada de Sérgio Machado”. De acordo com ele, ela aparece como “uma das recebedoras de recursos captados por Machado junto a empresas fornecedoras da Transpetro”, o que teria pedido “diretamente” a ele. A matéria acrescenta que, “em suas duas últimas eleições, 2010 e 2014, Jandira recebeu doações da UTC, Keppel Fels, Brasfels e Queiroz Galvão, todas empresas envolvidas na Lava Jato”, participando da cumplicidade que ela própria tão enfaticamente condena.
A assessoria de Jandira enviou uma resposta ao colunista, naturalmente, com um texto em que a deputada se defende, alegando ser normal buscar ajuda de empresas que foram parceiras em sua luta pelo “soerguimento do setor” dos estaleiros “e em defesa dos trabalhadores”, empresas que reconheceram nela “uma defensora da indústria naval”, e todas as doações, tal como os petistas dizem terem sido as suas, “são públicas e registradas”, atendendo a pedidos “transparentes”.
O fato é que a “defensora dos trabalhadores” – cujo falido restaurante de comida árabe responde a sete processos trabalhistas – está no áudio de Sérgio Machado, e, portanto, figura agora nos anais da Lava Jato. Será que esse incômodo tornará os áudios “impuros” aos olhos dos nossos comunistas de estimação, tão logo tudo venha à tona? A conferir.
Esperamos que mais nomes despontem nessa constelação de emoções.

