ESTE ARTIGO FOI ORIGINALMENTE PUBLICADO PELO INSTITUTO LIBERAL E REPERCUTIDO PELO ESCOLA SEM PARTIDO.
Em nosso artigo “Cristovam Buarque e o Escola Sem Partido: ignorância ou cinismo?”, publicado há pouco tempo, já sustentamos a urgência extrema do combate à doutrinação e à ideologização do ensino no Brasil. Destacamos a absurda interpretação do senador pedetista acerca do projeto do advogado Miguel Nagib, que formaliza o reconhecimento desse problema e a postura a ser adotada para combatê-lo. A mesma urgência foi o que nos motivou a retornar a esse assunto tão cedo, porque talvez exemplos concretos demonstrem com mais clareza a dimensão do perigo.
Em seu perfil na rede social Facebook e na página do Escola Sem Partido, Nagib divulgou imagens de trabalhos escolares produzidos em um colégio de Ensino Fundamental do Paraná. Segundo ele, obra de alunos do quinto ano. Aparentemente, os professores consideram parte do currículo “fundamental” o engajamento dos pobres estudantes em suas militâncias e reivindicações. Desenhos ilustrando os professores paranaenses e os confrontos verificados nas manifestações do mês passado vêm acompanhados de ataques explícitos ao governador tucano Beto Richa. Não foram poucos os trabalhos, a maioria deles exibindo dizeres explícitos como “Fora, Beto Richa” ou mesmo ironizando o governador. Nagib compartilhou também registros de uma professora que, em sua página na rede social, divulgou os trabalhos e recebeu apoio entusiasmado de alguns de seus amigos no Facebook, mesmo alguns pais de alunos, pelo gesto. Em sua concepção, é uma vitória que os alunos, “como trabalho de História”, estejam reproduzindo ataques políticos ao governador do estado, palavras de ordem e discursos dos professores militantes.




Em notícia de 9 de junho de 2015, publicada no site do jornalista Esmael Morais, especializado em notícias políticas, lê-se que “agora, a partir das escolas, transformadas em trincheira, será possível amplificar essa denúncia de que ‘há algo de podre no reino da richarada’. Portanto, a partir desta quinta em todas as escolas e comunidades do Paraná a palavra de ordem é ‘Fora, Beto Richa!’”. Amigos leitores, não podemos enxergar colégios como trincheiras para manifestações políticas! A ocupação do espaço educativo para promoção de correntes políticas específicas, sem o respeito à pluralidade que já é recomendado pela lei – e pelo bom senso -, é algo de praxe em regimes totalitários e, como defende o excelente livro de Bruno Garschagen, Pare de acreditar no governo – por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado, parece acompanhar de certa forma a história brasileira desde a forte influência positivista no alvorecer da República Velha até o esquerdismo gramscista dos nossos dias. É uma perversão das finalidades desse espaço, que precisa ser abolida o quanto antes se quisermos um país com desenvolvimento sadio e sólido.
Não temos nenhuma intenção de justificar o governo de Beto Richa, de tomar partido entre um lado e outro – aliás, vemos motivos para críticas pesadas a uns e outros nessa história. Entretanto, por mais complicada que seja a situação naquele estado, ela representa pouco perto da atitude dos professores no colégio de ocuparem o tempo das lições a serem lecionadas com uma instrumentalização dos jovens para o sustento de causas que muitos deles sequer compreendem bem. São vítimas, tendo poucas defesas contra a autoridade de referência de que os docentes estão naturalmente imbuídos. É um aviltamento da posição de que estão investidos, e um sintoma trágico do verdadeiro “boicote ao futuro” que se está alastrando pelo sistema de ensino nacional.

