Créditos da imagem: Agence France Press
Em notícia do portal do MSN, lemos que Lula fez uma pausa em seu esforço por negociar cargos para proteger o governo Dilma na última sexta-feira, 8 de abril, para participar de um evento chamado Encontro da Educação com Lula em Defesa da Democracia (isto é, do PT). O ex-presidente discursou, e mostrou as garras já velhas conhecidas em seu repertório: ataques à mídia, culto às “reformas populares” empreendidas por ele e sua sucessora, e críticas a uma suposta seletividade das investigações da Lava Jato.
De acordo com ele, “não existe exemplo de revolução no mundo igual à que fizemos em 12 anos, sem dar um tiro”. No entanto, de todo o seu palavrório raivoso, um determinado trecho nos tocou mais fundo – e também aos autores da matéria, afinal ele ocupa a manchete: “Quanto isso tudo terminar, tudo que eu quero é que me digam uma palavra: desculpa. Porque eles erraram”. Precisamente. Lula se considera vítima de uma injustificável perseguição; da Justiça, de Sérgio Moro, dos tucanos, da população golpista que está irritada com sua criatura na Presidência – e descarrega sua raiva também nele, o mentor. Então, Lula quer ouvir desculpas. Ele ouvirá. Pedimos desculpas.
Pedimos desculpas às poucas vozes – por exemplo, a “assustada” atriz Regina Duarte – que, antes da eleição de 2002 consagrar a sua vitória, nos tentaram avisar que alçar o Partido dos Trabalhadores ao poder seria temerário, e receberam a troça e a derrota no pleito como resposta.
Pedimos desculpas às vítimas, muitas delas famintas e miseráveis, das ditaduras africanas e tiranias teocráticas a que o PT afaga, enxergando com normalidade e camaradagem suas arbitrariedades violentas e suas instituições curvadas ao despotismo.
Pedimos desculpas aos presos políticos na Venezuela e aos silenciados na tirania de Cuba, vítimas de autoritarismos acobertados e financiados pela estupidez brasileira.
Pedimos desculpas aos produtores rurais, que sustentam em boa monta a economia nacional, perturbados e afrontados pelos terroristas do Movimento dos Sem-Terra, incentivados e amparados pelo Partido dos Trabalhadores – aliás, formando parte em seu séquito.
Pedimos desculpas aos estudantes decentes, de ontem e de hoje, por ver seu nome coletivamente sujo por uma instituição, a União Nacional dos Estudantes, que supostamente os representa, mas tem funcionado – e temos deixado que funcione, curvando-nos com subserviência aos mitos fabricados pela esquerda – como suporte de um grupo de partidos que apoiam a legenda no poder.
Pedimos desculpas aos artistas, de ontem e de hoje, que se dedicam a inspirar e recrear mentes das maneiras mais sublimes, por abrigarmos, em nosso seio, alguns dos maiores traidores de seu ofício, vendidos que não hesitam em fechar os olhos aos maiores desmandos do populismo e da picaretagem em busca de vultosos trocados.
Pedimos desculpas aos empreendedores, aos pobres, a todos aqueles que encontram na burocracia paralisante, nas taxações abusivas, no gigante estatal pesado sobre suas cabeças, um obstáculo atormentador para sua emancipação e para o florescimento das sementes que se esforçam por plantar.
Pedimos desculpas aos democratas genuínos, verdadeiros, que, ao longo da história republicana brasileira, lutaram contra todas as formas de centralização excessiva de poder e restrição de liberdades que marcaram mais de um século de nossa epopeia. Pedimos desculpas, aliás, aos baluartes da democracia-liberal em todos os tempos, em todos os lugares e épocas, pela paródia bufa de suas maravilhosas conquistas que logramos construir por aqui, cultuando todo gênero de mediocridade e alçando à liderança maior todo tipo de nulidade.
Pedimos desculpas às vítimas fatais dos últimos 13 anos; aos 60 mil mortos por ano, aos policiais que partem em luta contra o crime, aos cidadãos de bem que perecem na luta incivilizada de cada dia pela sobrevivência, aos que não resistem ao descaso e à miséria nas filas de hospitais e postos de saúde. Pedimos desculpas à família de Celso Daniel.
Pedimos desculpas às pouquíssimas vozes no meio intelectual que não se calaram, que resistiram, que deram as caras à tapa, que denunciaram o mergulho do país no cúmulo da cegueira e na sátira mais escroque do cinismo, mas encontraram a difamação e a ironia pela frente, enquanto dúzias de imbecis foram aplaudidas e laureadas.
Pedimos desculpas aos brasileiros de amanhã, a curto, médio e longo prazo, que sofrerão as consequências das irresponsabilidades dos que arranharam os sucessos do Plano Real e devastaram o otimismo e as esperanças concretas de todo um povo.
Pedimos desculpas, finalmente, aos brasileiros de ontem, especialmente aos que fundaram o Brasil. Pedimos desculpas a José Bonifácio, o Patriarca da Independência, que queria ver no Brasil a Atenas das Américas, uma civilização tropical que amasse o conhecimento. Pedimos desculpas ao imperador D. Pedro II, que, escorraçado da terra que tanto amava, acreditou até seu derradeiro dia no seu potencial. Pedimos desculpas a Rui Barbosa, que, ao ver o triunfo do mau-caratismo, dizia quase ter vergonha de ser honesto.
Pedimos desculpas a todos eles, como povo, como civilização. Falhamos. O fato de seres como Lula grasnarem em liberdade contra as instituições, de se pavonearem como emblemas da moral e da hombridade, é um retumbante fracasso. Que não nos peçam agora, depois de mais de uma década sendo atacados vergonhosamente pelo “crime” da divergência, que tenhamos calma! Que não nos peçam agora que tratemos os criminosos que nos sugam as forças com complacência imobilizadora e passividade irrefletida.
Não é hora de santidade fingida e dissimulação. É hora de combate. É hora de derrubá-los. É hora de acusar-lhes a infâmia e impor sobre eles a justiça. Pedimos desculpas a quem realmente magoamos, a quem realmente decepcionamos; a eles, os petistas, jamais.

