Aconteceu! O mais improvável candidato da História americana venceu a mais incapaz candidata da História dos Estados Unidos, e com isso também venceu toda a imprensa estadunidense que, desde o início, considerava a candidatura de Donald Trump uma piada, uma palhaçada. Trump fez a imprensa ter a maior derrota de sua História.
Nunca um candidato foi mais atacado, insultado e difamado como este que ganhou as eleições americanas. Desde críticas sérias, válidas e valiosas, até as que se rebaixavam ao ridículo (a maioria delas, digo), obsceno e ao criminoso, Donald Trump recebeu todas de peito aberto, aguentou e esmagou todo um sistema de pensamento estabelecido no país. Se há algo que podemos dizer sobre o presidente eleito, é que ele tem garra, força e resistência – possivelmente mais do que qualquer um que já se apossou da Casa Branca.
Mas nada pode ser feito, em uma questão eleitoral, por um homem só. Trump nada teria conseguido sem a ativa participação do povo americano no geral. Foi uma linha direta, sem intervenções da grande mídia, entre o candidato e quem votou nele; a Internet, enfim, toma formalmente o lugar das grandes empresas midiáticas, pois a ponte digital foi a maior ligação entre Donald Trump e seu eleitorado.
Trump representa a insatisfação popular, não apenas com uma política a la Obama, mas com uma cultura política, intelectual e jornalística existente nos Estados Unidos da América. O fato de ter vencido todo o establishment da mídia não está separado do fato de o mesmo establishment estar mais à esquerda do que nunca.
Uma das maiores cartadas da esquerda era a mídia, os meios de comunicação em massa, onde cortavam, eliminavam, acrescentavam ou exageravam qualquer evento possível de acordo com suas vontades ideológicas. Quatro assassinatos por homofobia no Texas, de repente, têm a potência de ganhar mais holofotes que quatrocentos homicídios. Trump ganhou desse sistema, desse establishment, mas só ganhou porque o povo o percebeu, enjoou, ficou contra. A esquerda simplesmente sofreu, ontem, sua maior derrota desde a queda da URSS. Ela perdeu um dos maiores tentáculos culturais que já teve: a credibilidade midiática. Donald Trump pode vir a ser um presidente muito ruim, mas só por ter feito tal façanha, já merecia ganhar as eleições.
Mas Trump não era atacado à toa, como que apenas para a mídia fosse o caso de defender uma continuidade do governo Obama. Nosso bufão favorito, que agora é presidente eleito, era um dos pouquíssimos que colocava a boca no trombone para denunciar o descaso e a irracionalidade de políticas progressistas. A imigração, o islã, o ativismo ideológico, o globalismo, grandes bancos, tudo o que assolava o mundo com seus pérfidos interesses era apontado e denunciado por Trump. Fizeram parte concreta e ativa de suas propostas e denúncias modos de acabar com esquemas de esquerda pelo mundo e pelos Estados Unidos. Tal discurso chegou ao povo, e o povo, mesmo não aprovando a pessoa de Trump para a Casa Branca, preferiu-o a Hillary Cinton.
Mesmo com toda a mídia, o partido Democrata e a maioria do partido Republicano, somando-se a insatisfação popular com Trump, nada disso pôde derrota-lo. Isso significa algo, significa poder. Poder o suficiente para desestabilizar e desarticular a imprensa global, por causa do descrédito enorme que ela possui agora. Todo o esquema cultural da esquerda se viu ineficiente, incapaz e totalmente de mãos atadas para impedir que o mais improvável candidato vencesse a eleição.
A possibilidade de a esquerda se erguer na mídia é baixa. O único que pode ajudar a esquerda no mundo é o próprio Donald Trump. Se o globo guinar para um nacionalismo exacerbado por causa de políticas estadunidenses futuras, vai confirmar todo o pessimismo de esquerda. Trump pode, no fim, dar munição para a esquerda global, blindar a mídia e revigorá-la como nunca antes.
Mas estamos em um tempo de extremos. Ou era Trump, ou algo infinitamente pior. Tendo a ser positivo em relação ao governo de Donald Trump, mas a realidade sempre baterá à porta para mostrar que, longe de ser um bom presidente, Donald Trump também pode botar tudo a perder.


1 comentário
Acordei e, logo cedo, ainda deitado, arranquei meu celular do criado-mudo. Procurava por resposta a uma dúvida que me recém tinha surgido: quem venceu as eleições americanas?
Na noite anterior, acompanhei parte do Jornal Nacional, li uma matéria ou outra nos sites de notícias mais famosos (Veja, Globo.com, Folha), ouvi comentários de especialistas aqui e acolá, e, para todos, a mulher Clinton seria a vencedora, com o falastrão Trump sendo humilhado.
A grande mídia se pensa a senhora da razão.
Assim correram os últimos meses, em todas as noites anteriores ao dia de hoje. Meu cérebro foi bombardeado e meus testículos martelados por coisas do tipo “Trump tem posições radicais, é racista, xenófobo, machista, etc.” Só faltou ouvir que era inimigo da classe operária, a favor do impeachment, contra o ensino público, a favor da PEC 241, amigo do Bolsonaro, que queria prender o Lula, que era discípulo do Olavo de Carvalho e por aí vai.
Sobre Hillary, propagandeavam-se os mais gostosos adjetivos, até mesmo quando os repórteres com cara de nádegas e os mais polutos analistas sabichões explicavam, em tom professoral, que ela “pudesse talvez estar” em maus lençóis por causa da história dos e-mails (se você não sabe que história é essa, você é muito burro para estar lendo o que eu escrevo. Pare de ler e volte ao jardim de infância. Um sorvete de casquinha na testa é seu chapéu favorito, suponho). Nenhuma palavra, contudo, foi dita sobre Benghazi, os métodos de arrecadação de fundos da fundação Clinton e tantas outras maracutaias ligadas à ex-primeira dama, mulher de um ex-presidente adúltero.
E as pesquisas eleitorais? Todas sentenciavam Clinton como a medalhista de ouro. Donald Trump se tratava de carta fora do baralho, um medalhista de plástico. As eleições seriam apenas o rito necessário a confirmar a glória do Partido Democrata e de sua sorridente, cambaleante, mentirosa e super simpática representante – uma mistura indigesta de Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann e Maria do Rosário.
Você que acompanhou a cobertura das eleições americanas somente pelo que nossa magnífica imprensa produziu, deve ter ficado boquiaberto com o resultado final (se ficou, você é muito burro para estar lendo o que eu escrevo. Pare de ler e volte ao jardim de infância…).
Até entendo seu espanto. Os jornalistas-comentaristas-analistas das organizações Globo et caterva, incluídos os especialistas de facebook, pareciam torcedores de futebol de um mesmo time, discutindo em um bar, numa disputa de elogios à equipe objeto de sua paixão.
Mas…
Vitória republicana. Trump’s victory.
No noticiário da manhã, as manchetes deram o tom do que seria transmitido por toda a imprensa e replicado pelos papagaios de redes sociais ao longo do dia. Clichês seguidos ou antecedidos pelas palavras “surpresa”, “surpreendente”, ou pela expressão “contrariando as expectativas”.
Líderes europeus, ONU, professores universitários tão independentes quanto uma porta, mal disfarçavam o desconforto pela vitória de Trump, afinal de contas, terão de aguentá-lo, pelos próximos anos, fazendo picadinho daquele ar de superioridade que todos eles costumam exalar.
Inconformados, então, nossos especialistas queriam entender como Trump venceu. E saíram a procurar culpados. Seria a onda conservadora que vem dominando a galáxia? Talvez a culpa seja dos americanos brancos burros, dos latinos burros, dos negros burros, dos asiáticos burros, dos pobres burros, dos ricos burros, dos judeus burros, dos católicos burros, dos evangélicos burros, enfim, de todos os iletrados que votaram em Trump, lustrosamente apelidados de maioria silenciosa.
Ora, se inteligências superiores, aquilatadas, como Lady Gaga, Bruce Springsteen, Jon Bon Jovi, Jay-Z, Beyoncé, Jennifer Lopez, Madonna e tutti quanti manifestaram, abertamente, seu desprezo por Hitler, digo Trump, por que um americano branco burro, um latino, um negro, um careca ou um japonês fariam diferente?
Aliás, como é que os latinos da Flórida, que serão lançados em imensos vagões, para serem transportados até Guantánamo, onde sofrerão sessões de afogamento nos vasos sanitários mais sujos que alguém ouse imaginar (ao melhor estilo banheiro de rodoviária), puderam votar no próprio demônio?
Ouça, amigo que trabalha na grande mídia. Ouça, intelectual de facebook. Ouça, estudante que mal tirou as fraldas e quer dar pitaco em tudo. Ouça, senhor e senhor bunda-mole: Trump venceu. A vitória dele é para vocês. Este texto que escrevo é para vocês. Trump tem um topete feio e engraçado. Ele pinta o cabelo. Ele não dá a mínima para os seus “ais” e “uis”. Ele chuta a sua bundamolice. Ele fala palavrão. Ele conta piadas (bem sujas!). Ele gosta de mulher. Ele faz “comentários machistas sobre as mulheres” (Oin, que nojinho! Santo Deus!). Ele disse que vai construir um muro na fronteira com o México (como se lá já não tivesse um). Ele não gosta de terroristas, incluídos os muçulmanos, mesmo que esses terroristas digam que não são terroristas. Ele é CONTRA O ABORTO. Ele fala sem o compromisso de agradar quem o ouve. Ele agradou a milhões. Ele triunfou.
Aceite, caro jornalista-analista-especialista-matraca-de-facebook, que você não sabe nada.
Depois que você disse que a aprovação do Brexit afundaria o Reino Unido, a Europa, o planeta terra e os sistema solar num caos econômico, e isso não aconteceu, nem está perto de acontecer, nem acontecerá, você deveria ter aprendido a parar de fazer torcida e a começar a respeitar os fatos. Mas não. Você é teimoso.
Escute aqui, seu especialistazinho em porra nenhuma (grave o que vou dizer):
– por causa de Trump o mundo não vai acabar;
– A economia dos EUA não vai degringolar;
– As criancinhas não vão passar fome;
– A América Latina não vai perde importância; nem ganhar, pois os americanos simplesmente não dão a mínima para nós;
– as pessoas de bem não serão ameaçadas;
– Os americanos não são burros;
– todas as pesquisas, tudo que vocês disseram sobre Hillary, todas as suas opiniões sobre ela e as eleições americanas eram furadas;
– Hillary Clinton é MILIONÁRIA, dissimulada, mentirosa, desonesta e corrupta;
– ser milionário ou bilionário não é algo ruim;
– Ter dinheiro não é ruim.
– Ser casado com uma ex-modelo eslovena (!) não é defeito;
– O aquecimento global é uma grande babaquice.
Para concluir: não entendo porra nenhuma de política americana ou internacional e não faço ideia se Trump será bom ou ruim para os americanos e para o mundo. Do alto da minha sabedoria acho que a vitória dele trará mais benefícios do que malefícios.
Pois bem, dito isso, como lição, o que vejo é o seguinte: as nossas posições políticas, no momento em nos fazem afastar da fria análise dos fatos, transformam tudo o que dizemos em mera torcida, por mais enfeite que coloquemos. No fim das contas, quando aparecem os Trumps para jogar na nossa cara que sempre estivemos errados, as seguintes opções se apresentam: a) por o rabinho entre as pernas, fechar o bico e reconhecer nossa burrice e nossa desonestidade ou b) ficar com cara de babaca triste, de mimimi, tentando encontrar culpados pela nossa falta de cérebro, que nos fez acreditar que as coisas é que deveriam se amoldar à nossa mente, e não que a nossa mente é que deve aceitar as coisas como elas realmente são.
Um abraço e boa noite.
Chupa Hillary!