“Nenhum dos chamados Direitos Humanos vai além do egoísmo, o homem como ele é na sociedade civil, ou seja, um indivíduo que se esquivando por trás de seus interesses privados e caprichos, separado da comunidade.”
Karl Marx
Não são novas as notícias de violações aos Direitos Humanos na Venezuela desde que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) chegou ao poder em 1999. Há prisão de opositores, tortura, agressões a manifestantes, uma população que não tem acesso à alimentação básica e, mais recentemente, mortes cometidas pela polícia política do ditador Nicolás Maduro, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB). Oscar Perez, piloto da Polícia Científica do país, – que tinha se rebelado contra a ditadura -, foi fuzilado pelo governo apenas por discordar de suas ações. A Venezuela chavista mostra que o socialismo sempre acabará em tragédia e isso nunca será uma coincidência.
Muitos grupos que advogam a defesa das pautas dos Direitos Humanos em nosso país, como Instituto Igarapé, Sou da Paz, VivaRio e DDH (Defesa dos Direitos Humanos, ONG ligada ao deputado estadual Marcelo Freixo – PSOL) silenciam-se diante das atrocidades que acontecem no país vizinho pelo fato de tais grupos serem de viés socialista e alguns deles terem colaborado com ações do governo chavista. O VivaRio, por exemplo, atuou no programa de desarmamento da população civil naquele país e colaborou para o cerceamento do direito de legítima defesa dos cidadãos.
Como mostra Geanluca Lorenzon em seu livro “Ciclos Fatais: Socialismo e Direitos Humanos”, pensadores como Karl Marx sempre tiveram desprezo pelas pautas ligadas aos Direitos Humanos, alegando que tais direitos tinham origem supostamente burguesa e, portanto, tais pautas seriam usadas apenas para a defesa de interesses privados em detrimento do coletivo. Marx também entendia que apenas o operariado poderia realizar a revolução socialista; logo todas as pessoas que estivessem à margem da revolução deveriam ser exterminadas para que não contaminassem a consciência revolucionária do proletariado. Marx dá nomeia tais pessoas de lumpemproletariado.
Entre os que integrariam o lumpemproletariado estão bandidos, prostitutas, homossexuais e boêmios. As primeiras definições de tal termo aparecem nos livros “A Ideologia Alemã” e “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, escritos pelo próprio Marx. Todavia, uma nova geração de pensadores socialistas, no século XX, como Antonio Gramsci, Frederick Pollock, Jürgen Habermas, Herbert Marcuse, Theodor Adorno, György Lukacs, Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Sulamith Firestone passaram a enxergar que o proletariado estaria contaminado pela burguesia e pelas religiões judaico-cristãs por não carregar mais o desejo revolucionário e desejar apenas viver sua vida de maneira individual junto à sua família.
Para que a nova tentativa de revolução desse certo, o agente, ignorado por Karl Marx, passou a ser quem comandaria a tentativa de alcançar um governo socialista. O lumpemproletariado ganhava voz e vez. Os Direitos Humanos, antes chamados de direitos da burguesia por Marx, e ignorados totalmente pela esquerda, seriam utilizados em vista de se alcançar a revolução, segundo a máxima leninista de “Compraremos a corda da burguesia e utilizaremos a mesma para enforcá-los”.
Tais Direitos, moldados na tradição judaico-cristã, na filosofia aristotélica, no direito romano e consagrado nos organismos jurídicos da Inglaterra e dos Estados Unidos passariam a ser meras ferramentas de propagação da revolução e da defesa das pautas de uma esquerda pós-moderna. Não é coincidência que órgãos ligados aos Direitos Humanos, não apenas no Brasil, mas em outros lugares do mundo, apenas sirvam para os interesses de uma esquerda genocida sedenta para conquistar o poder e implantar um governo coercitivo em nome da criação de um novo homem sem máculas e vícios, no que o já falecido ditador comunista romeno Nicolae Ceaucescu chamava de “criação do homem socialista”.
A esquerda não defende e nunca defenderá os Direitos Humanos, pois a base de tais direitos são os Direitos Naturais (Vida, Liberdade e Propriedade), pautas que as quais a esquerda é totalmente contra. A tríade de Direitos originária do pensamento socialista e demonstradas pelo marxista Anton Menger são a Produção, o Trabalho e a Existência (segundo a definição do autor, o direito à Existência significa que cada membro da sociedade pode demandar os bens e os serviços necessários para sua existência em conformidade com o que for disponibilizado a ele, de acordo com a disponibilidade deles pelo órgão central). A esquerda hoje defende tal pauta com uma única intenção: chegar ao poder para depois praticar violações aos Direitos que um dia diziam defender.


