A caravana do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) pelo sul do país tem sido alvo de duras manifestações das populações das cidades por onde a comitiva petista passa; de arremesso de ovos até o cercamento com tratores e caminhões. A reação de Lula não lembra em nada o “lulinha paz e amor” das eleições de 2002, mas lembra, sim, líderes que desejam apenas o poder para implantar um projeto totalitário e se perpetuar no comando do país. A estratégia da caravana “Lula pelo Brasil” era visitar os interiores do Brasil com a crença de que Lula e o PT ainda tivessem uma grande aceitação popular naquelas cidades.
O fato que vem deixando a cúpula do PT de cabelo em pé com tais manifestações é que elas vêm acontecendo não nas grandes capitais e cidades importantes, mas sim nos rincões do Brasil. Áreas que em um passado recente, eram redutos eleitorais da legenda petista e que hoje expressam uma oposição ferrenha ao lulo-petismo. Em vez de Lula manter-se calmo e demonstrar uma conduta republicana. tem atacando com severas críticas todos que não concordam com sua visão de mundo, acusando agricultores de “darem calotes em financiamentos” e afirmando que as populações deveriam recebê-lo com beijos em seus pés.
Essa reação vinda do interior do Brasil pode ser explicada por meio da visão do Homem Comum apresentada pelo escritor inglês Gilbert Keith Chesterton. São pessoas de origem simples, que. embora não tenham a cultura que lhes são ofertadas pela instrução escolar, têm uma cultura ligada à sua região e a religião bastante sólida; que desejam cuidar da sua família e trabalhar para garantir seu sustento. Essas pessoas enxergam hoje na esquerda uma ameaça ao seu modo de vida e à sua visão de cultura. No Brasil, autores como Cornélio Pires e Mário Ferreira dos Santos utilizaram do pensamento do autor de obras como “Ortodoxia” e “O que há de errado com o mundo” para difundir seu pensamento de defesa da cultura regional.
Pensadores socialistas da geração de 1950 já enxergavam que a oposição às suas ideias não viriam das grandes metrópoles, mas dos rincões e das pessoas mais simples que morassem nos grandes centros. Autores como Jean-Paul Sartre, Jürgen Habermas, Frederick Pollock, Gyorgy Lukacs, Simone de Beauvoir e Maurice Kojève conceberam a ideia de que essas pessoas mais simples das cidades e aquelas que estivessem afastadas dos grandes centros não estariam dotadas da chamada consciência de classe e desejavam viver com os confortos que o capitalismo poderia oferecer. Por isso a visão da chamada geração pós-moderna socialista é de dar um protagonismo maior no processo revolucionário ao que o desenvolvedor do pensamento marxista, Karl Marx, chama de “lumpemproletariado”. Nessa categoria estão gays, moradores de rua, prostitutas e bandidos que. segundo a visão marxista, não contribuem com a revolução por serem “desprovidos de valores”.
Diferente do Psol, partido derivado do PT que abraçou tais pautas ligadas ao pós-modernismo socialista, a legenda petista demonstra querer manter os pés em duas canoas: deseja defender as pautas pós-modernas – e as promove por meio da mídia e da intelectualidade – ao mesmo tempo deseja cativar as populações mais humildes utilizando-se da retórica do marxismo ortodoxo de exploração do proletariado.
Todavia, as ações praticadas durante os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff foram totalmente lesivas ao trabalhador urbano e do campo como o fortalecimento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) – movimento conhecido por invasões de propriedades rurais -; o desarmamento civil, que promoveu insegurança no campo e nas metrópoles; o desemprego em massa que, na crise econômica gerada pelos governos petistas, fez com que o PT perdesse apoiadores no campo e na cidade; e, atualmente, a promoção de uma agenda cultural esquerdista com pautas como aborto, ideologia de gênero e legalização das drogas fizeram com que a esquerda e seus diversos partidos fossem vistos com cada vez maior ojeriza pelas camadas mais populares devido ao fato de que essas camadas mais simples da sociedade são dotadas de um forte cristianismo – seja católico ou protestante.
A reação do interior contra Lula não se gerou da noite para o dia. Além da reação pela corrupção endêmica comandada por Lula e Dilma, os ataques à cultura local e ao modo de vida promovidos pela esquerda fazem com que a raiva e a oposição ao petismo e a outros partidos de esquerda elevem-se cada vez mais. Essas populações desejam não apenas que a política brasileira seja passada a limpo, mas que a sua cultura, com fortes raízes locais. e que o seu modo de vida não sejam vilipendiados por aqueles que se autodenominam “monopolistas da moral e das virtudes”.









