Desde a vitória de Jair Bolsonaro, os governadores eleitos pelo PT vêm realizando um boicote ao novo presidente em razão de manter uma narrativa em defesa do presidiário, Lula, e agradar suas bases eleitorais mais extremadas com a chamada “lacração”. Todavia, crises vividas por estados governados pelo PT praticamente obrigaram os chefes do executivo petistas a dialogarem com o governo federal.
O estado do Rio Grande do Norte, governado atualmente pela ex-senadora petista Fátima Bezerra vive desde 2016 uma crise financeira sem precedentes que culminou em problemas na área da segurança pública no fim de 2017. A nova governadora tomou posse e praticamente de imediato, decretou estado de calamidade financeira. A medida é necessária para que o estado possa negociar com a União um pacto de recuperação fiscal, assim podendo recuperar suas finanças num prazo de três anos prorrogáveis por mais três, em termos semelhantes ao termo assinado pelo estado do Rio de Janeiro em 2017. Todavia, Bezerra era uma das maiores críticas ao presidente Bolsonaro, promovendo inclusive o boicote dos governadores eleitos por partidos de esquerda em reuniões promovidas pela então equipe de transição presidencial no fim do ano passado e ao recente boicote à posse presidencial em Brasília.
Mas o caso mais alarmante acontece hoje no estado do Ceará. Desde 2006, com a vitória de Cid Gomes para o Governo do estado, a esquerda governa o Ceará. Atualmente, o estado é governado por Camilo Santana, governador reeleito pelo PT e com proximidades aos irmãos Ferreira Gomes. Camilo tem sido um dos governadores mais críticos ao novo presidente, sendo um dos mais radicais oposicionistas. E o estado hoje vive um caos gerado pela complacência do governo estadual com a criminalidade.
Não é de hoje que o Ceará vive com problemas na área da segurança pública. Durante o governo de Cid Gomes, as más condições de trabalho, os salários baixos, os péssimos equipamentos e as bravatas dos Ferreira Gomes desencadearam uma paralisação da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros no início de 2012. O estado marajoara ficou à beira do caos e o então chefe do executivo cearense não encontrou outra saída senão atender às reivindicações dos operadores de segurança pública.
Quatro anos depois, ataques realizados por criminosos com o uso de carros-bomba foram realizados em protesto à lei estadual que obrigava operadoras de telefonia a instalarem bloqueadores de sinal dentro dos presídios. A situação foi tão constrangedora que uma das facções criminosas comunicou que repudiava o uso de tal artefato e que desejava chegar a um acordo com o governo estadual.
No ano passado, o então deputado estadual e deputado federal eleito, Capitão Wagner (PROS), uma das lideranças dos acontecidos de 2012, denunciou, no plenário da Assembleia Legislativa, acordos realizados entre facções criminosas e o governo do Ceará com o intuito de paralisar ataques a ônibus realizados por criminosos na capital Fortaleza, colocando às claras os fatos de 2016.
Recentemente, Camilo Santana, reeleito governador, nomeou como Secretário de Administração Penitenciária Luís Mauro Albuquerque, Policial Civil no Distrito Federal e ex-secretário de Justiça do Rio Grande do Norte. Ao assumir o posto no governo cearense, Albuquerque ordenou que criminosos não fossem mais separados por facções nos presídios, prática então comum no Ceará. Tal medida gerou insatisfação dos criminosos, que passaram a ordenar uma onda de ataques no estado, deixando a população cearense sitiada em suas casas, gerando o terror em todo o território cearense.
Rapidamente, o governador cearense deixou a lacração de lado e pediu o envio de tropas federais para tentar ao menos reduzir o caos no estado. Para surpresa dos lacradores de plantão, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o presidente, Jair Bolsonaro, autorizaram o envio de tropas da Força Nacional de Segurança com total brevidade, o que rapidamente reduziu a incidência de crimes, prendendo aproximadamente 300 criminosos em quatro dias.
Quando vidas humanas estão envolvidas, a lacração e a partidarização não podem prevalecer. Os governantes petistas não podem enxergar a população como se fossem os esquerdistas das redes sociais, que propagam a existência de um mundo perfeito ignorando as mazelas de sua própria ideologia. Enquanto pessoas são assaltadas, mortas, estupradas, a esquerda prefere transformar os criminosos em criaturas sacrossantas por meio de uma visão frankfurtiana-gramscista e demonizam os agentes da lei. Para alegria do povo cearense, e para tristeza dos especialistas de segurança do mundo encantado do projaquistão, Camilo Santana não quis lacrar. A realidade é mais dura que a utopia socialista.


