“Os socialistas, que tanto falam nas massas, não foram os criadores nem do consumo de massa, nem da cultura de massa. Essas massificações equalizantes foram produzidas pela cultura individualista americana (…). O cinema, originado no Ocidente, talvez tenha sido a primeira ‘cultura de massa’ do mundo, agora ampliada pela televisão e pela Internet, também criações capitalistas”.
Roberto Campos
O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região pelo crime de corrupção ativa no caso do triplex do Edifício Solaris, Guarujá. Com mais de 400 páginas de provas contra o ex-presidente, sua prisão é cada vez mais iminente. Porém, seus apoiadores continuam a defender de maneira cega o petista, argumentando que em seu mandato os pobres foram beneficiados.
Tais apoiadores que argumentam em favor de Lula o qual seria um “pai dos pobres” são sempre os mesmos: artistas famosos; professores e estudantes universitários; jornalistas com horários nobres na TV; parcela considerável do funcionalismo público e pessoas que se enquadram nas classes mais abastadas economicamente. Agem assim, pois estão cegos pela defesa do indefensável e buscam manter apenas seus próprios privilégios, que vão de financiamentos governamentais para pesquisas que não agregam em nada no desenvolvimento do país até a famigerada Lei Rouanet.
Ludwig von Mises e Thomas Sowell, em seus respectivos livros “A Mentalidade Anticapitalista” e “Os Intelectuais e a Sociedade”, mostram como as chamadas elites são as maiores entusiastas do ideário socialista e como seu ar superior frente aos demais é um fator crucial para que muitas pessoas das classes mais altas defendam o socialismo.
Muitos que possuem um alto poder aquisitivo observam com total desdém ou com uma hipócrita glamourização as preferências das massas, decidindo lançar toda a sua cólera no capitalismo vendo em si próprio um ser altruísta que pensa nos seus semelhantes e que deseja um bem comum no socialismo. Acham que podem monopolizar todas as possibilidades de escolhas dos mais pobres, desde o que ele estudará até as suas opções eleitorais, em vista de transformar tal parcela da sociedade em massa de manobra para fins políticos.
O capitalismo e os seus mecanismos geram inúmeras possibilidades, vendendo aquilo que o consumidor opta por adquirir. Se há uma preferência por ouvir sertanejo universitário, arrocha, axé, funk e pagode ou ler “Cinquenta Tons de Cinza” ou Paulo Coelho isto não é culpa do capitalismo, embora muitas pessoas de alto poder aquisitivo consumam produtos artísticos mais populares para se apresentarem como modernos e próximos do povo. Talvez isso explique um pouco do amor das esquerdas pela pobreza a um ponto que esta é glamourizada na TV e em campanhas eleitorais de políticos de partidos como PT e PSOL.
O psolista Marcelo Freixo, Deputado Estadual carioca, é um grande exemplo. Seu eleitorado é concentrado nas classes mais abastadas da sociedade e suas votações demonstram isso. Em sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, obteve apoio de boa parte do casti-in da Rede Globo e de cantores famosos como Caetano Veloso e Chico Buarque e sua campanha eleitoral foi marcada pela glamourização da pobreza, personificada no seu jingle eleitoral que encontra semelhanças no clássico “Lula lá” de 1989 devido a participação maçiça de artistas famosos. Porém, sua candidatura foi rejeitada nas áreas mais pobres da cidade do Rio de Janeiro. Seu adversário no segundo turno, o então senador Marcelo Crivella (PRB), obteve, por sua vez, expressiva votação nas Zonas Norte e Oeste, áreas habitadas por uma população com menor poder aquisitivo.
A reação dos eleitores e apoiadores de Marcelo Freixo após o resultado das eleições foi truculenta. Muitos posts nas redes sociais diziam que “pobres não sabiam votar” e que “a população teria mentalidade pequena ao votar no bispo licenciado da Igreja Universal”, buscando alimentar um jogo de nós x eles. Nada tão diferente dos petistas que reclamaram que os pobres que comemoram a condenação em segunda instância de Lula.




É preciso que a hipocrisia das nossas elites socialistas acabe. As pessoas mais pobres da sociedade não podem ser meros objetos políticos de uma esquerda sedenta apenas para multiplicar a pobreza pelo Brasil afora pelo simples desejo de uma nomenklatura nomeada por Rodrigo Constantino como “Esquerda Caviar” que acha que sabe o que é melhor ou pior para os outros indivíduos. Os intelectuais da Praça São Salvador são prejudiciais não apenas para o desenvolvimento do país, mas para a própria convivência em sociedade.




