O Presidente eleito Jair Bolsonaro vem lançando fora a desconfiança de outrora e preenchendo os corações liberais e conservadores de otimismo e esperança. Suas indicações para os cargos do executivo vêm sendo bastante elogiadas por priorizarem a formação e a experiência profissional em vez do clássico compadrio político realizado pelas últimas gestões. Ricardo Vélez Rodríguez, Paulo Guedes, Rubem Novaes, Mansueto Almeida Jr., Sérgio Moro, Joaquim Levy, Roberto Castello Branco, Adolfo Sachsida e Augusto Heleno Pereira são algumas dessas indicações escolhidas a dedo para colocarem o país finalmente em rumo da liberdade e do desenvolvimento.
No entanto, muitos ainda guardam desconfianças de que Bolsonaro, no fim das contas, faça o caminho que fez Fernando Collor de Mello no início dos anos 1990. Collor venceu a eleição por um partido pequeno, o Partido da Reconstrução Nacional (PRN, atual PTC), – situação semelhante à de Bolsonaro -, que elegeu-se pelo nanico Partido Social Liberal (PSL). O candidato do PRN venceu a eleição com uma plataforma liberal de governo, propondo desregulamentações, privatizações, redução do Estado e combate à inflação, assim como Bolsonaro. Collor teve seu programa econômico escrito por José Guilherme Merquior, um dos maiores pensadores liberais do país que também contava, ainda, com o apoio de Roberto Campos, economista liberal respeitadíssimo no Brasil e no exterior.
As semelhanças entre Collor e Bolsonaro param por aí. Desde o início do governo, Collor deu preferência a nomeações políticas para os cargos técnicos. Políticos como Reinhold Stephanes, Bernardo Cabral, Joaquim Roriz, Jorge Bornhausen, Jarbas Passarinho, Ricardo Fiúza, Carlos Chiarelli e Alceni Guerra eram ou deputados federais ou senadores sem nenhuma experiência nas cadeiras ministeriais que assumiram. Além disso, Collor não conseguiu eleger uma boa base de sustentação política nas eleições parlamentares de 1990, tornando-se refém do Congresso Nacional. Os casos de corrupção nos quais o governo estava envolvido foram a cereja do bolo para que o carioca radicado em Alagoas sofresse o impeachment em 1992.
Collor também ficaria marcado por um fato na sua posse: seu primeiro discurso como Presidente foi escrito por José Guilherme Merquior, pensador liberal que participou da elaboração do plano de governo. Contudo, escolheu para o Ministério da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, ex-militante do PCdoB nos tempos de universidade e que realizou políticas econômicas que em nada se assemelhavam ao ideário liberal, como o corte de zeros na moeda corrente e o malfadado confisco das poupanças. Não à toa, Roberto Campos passou a ser um dos maiores críticos do governo, tecendo pesadas críticas em seus artigos, em entrevistas na televisão e em sua principal obra “A Lanterna na Popa”.
Bolsonaro tem tomado ações totalmente diferentes de Collor. O Presidente eleito teve uma boa vitória nas eleições parlamentares, tendo o seu partido (PSL) se tornado o segundo em número de deputados, além da eleição de parlamentares aliados. Fora isso, Bolsonaro vem sinalizando para uma plataforma liberal na área econômica, dando total autonomia para Paulo Guedes e sua equipe realizarem as reformas necessárias e fazer do Brasil um país livre da herança estatista do lulopetismo. É preciso que demos tempo ao tempo para que avalie-se as ações que serão tomadas a partir do primeiro de janeiro próximo. A esperança e a auto-estima, entretanto, estão voltando e, assim, possamos ver o Brasil sair da gafieira e entrar no Jockey Club, usando a expressão de Roberto Campos.



