Quando, em uma desinteligência mundana, um brucutu de quinta categoria resolve usar o cuspe como recurso destemperado, reduzindo a nada a própria qualidade de seres humanos dos seus contendores, a última coisa que se espera é que a maior emissora de televisão do país o convide para um programa dominical de entretenimento para que dê “a sua versão”, sem oferecer o mesmíssimo espaço aos alvos da sua saliva malcriada. Pois foi o primeiro desatino da Rede Globo no último dia 24 de abril.
No programa do Faustão, o ator José de Abreu, dono de um histórico nada invejável de serviços prestados à extrema esquerda e ao lulopetismo, depois de protagonizar o incidente deplorável acima mencionado em um restaurante japonês de São Paulo, cuspindo em um casal, foi homenageado com um “Arquivo Confidencial”. Justamente nesta fatídica semana, o escroque recebe loas! Por vários minutos, ele se pôs a comentar o incidente.
Além de grasnar toda a bobagem já conhecida de que o PMDB estaria sendo protegido pela Operação Lava Jato e de que Cunha é ladrão e “não pode tirar a Dilma” – desprezando mais uma vez os milhões que pediram o impeachment -, José de Abreu disse que seu gesto foi “reação de um ser humano normal” a uma provocação. Não sabemos o que pensam os leitores, mas não temos memória de nenhum “ser humano normal” que cuspa nos outros por desavenças ou discordâncias. Sobre ter cuspido em uma mulher, o ator disse que “Ela chamou minha mulher de vagabunda. Queria ter cuspido nela, mas não tinha cuspe e não posso me arrepender de uma atitude que foi impensada. A única coisa que me veio à cabeça é porque não podemos conviver pacificamente neste país”. Um apoiador da VAR-Palmares e do partido que mais semeou ódio na história deste nosso Brasil segue alimentando a versão criminosa de que o povo que clama a queda do estado de coisas é o culpado por semear a cizânia – como se fôssemos nós a dividir negros e brancos, ricos e pobres, o brasileiro de verdade (que é o petista) e os antipatrióticos “coxinhas”.
Convém lembrar que, nas redes sociais, o ilustre ator global publicou: “Acabei de ser ofendido num restaurante paulista. Cuspi na cara do coxinha e da mulher dele! Não reagiu! Covarde. Advogado carioca… (…) Cuspi na sua cara, na cara da mulher dele e ele não reagiu. Covardes fascistas. (…) Fascistas são tratados assim: com cuspe na cara! Nele e da mulher”. Enalteceu, celebrou, exaltou o nobre significado moral e estético do mais rasteiro e asqueroso “ cuspe na cara”.
Pioramos as coisas ao apreciar o argumento de José de Abreu evocando a posição das feministas. Ele disse se orgulhar do fato de elas não terem defendido a mulher em que ele cuspiu, como se elas fossem a régua moral para avaliar o certo e o errado, e a omissão delas significasse que ele merece palmas pela sua agressão. As feministas também não defenderam a jornalista Rachel Sheherazade quando Paulo Ghiraldelli disse que ela deveria ser estuprada. Em geral, elas só defendem o que lhes é politicamente interessante. O silêncio delas não quer dizer absolutamente nada sobre o valor do mérito da questão – ao contrário, tende a pesar em seu favor.
O ridículo de oferecer palco para um BABACA como este – e não nos ocorre haver palavra mais adequada – se fez acompanhar de uma reportagem no programa Fantástico dando destaque ao pedido vexatório da OAB-RJ de cassação do deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ) por ter homenageado o militar Carlos Alberto Brilhante Ustra em seu voto na Câmara pela admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff – pedido feito por advogados que, assim como a jornalista Miriam Leitão, se esqueceram das razões de ser da imunidade parlamentar. A reportagem apresentou depoimentos de opositores do regime militar que fazem acusações a Ustra e mostrou imagens de presos do DOI-CODI em sua época. Não vamos entrar novamente no mérito da declaração do deputado, que já abordamos em outras publicações neste espaço. Perguntamos simplesmente: o jornalismo da Globo se esqueceu de dar algum espaço para que o outro lado se defenda? É este o praxe em reportagens desse gênero. Onde está? Cadê os minutos para que Bolsonaro se defenda? E mais: onde está o escândalo com as inúmeras menções a PSICOPATAS DA GUERRILHA COMUNISTA do tempo do regime militar, como Marighella, que desprezavam a democracia acima de tudo?
Na mesma noite, o SBT exibiu um programa, o Conexão Repórter, apresentado pelo jornalista Roberto Cabrini, abordando o antagonismo entre Bolsonaro e o também deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ), usando como pretexto o cuspe (mais um!) desferido por este último em direção ao primeiro, na mesma votação do impeachment. Uma reportagem que deu espaço aos dois, é verdade – mas usou uma edição grotesca de imagens de reportagens antigas, e forçou uma associação indevida entre a figura de Bolsonaro e gangues obscuras de desocupados que resolvem dedicar a vida a bater em homossexuais, tão retardados e boçais quanto os torcedores organizados de futebol que se programam para entrar em pancadarias irracionais.
Senhoras e senhores, isto não pode ficar assim! E não nos referiremos, jamais, à censura. Somos amantes da liberdade de expressão. Mas cumpre reagir. Cumpre bradar contra essas incongruências que a suposta “mídia golpista” comete contra todos que incomodam seu mundinho cor de rosa. No caso de Bolsonaro, por exemplo. Com o apoio da imprensa, a OAB-RJ quer cassá-lo pelo que disse. Pois muito bem. Quando vamos mover algum processo contra os que homenageiam terroristas assassinos? O cuspe de Jean Wyllys foi o começo dessa proliferação de lhamas esquerdopatas. Por que Bolsonaro hesitou em processá-lo?
A covardia da direita fortalece a choradeira falsa da esquerda. Assim seguirá, se não tivermos um pingo a mais de ousadia e coragem.

