“We Will make America Great again!” O que isso significa? Para um esquerdista um pouco velho, arraigado às noções de “imperialismo estadunidense”, que vê a América como uma grande vampira dos povos pobres e oprimidos, significa que ela será mais sugadora do que nunca, ou tanto quanto era antes – o “antes”, para esse tipo de esquerdista, equivaleria ao período que antecede a II Guerra e o que a sucede, a Guerra Fria, quando os Estados Unidos eram mais efetivos em seus interesses econômicos. A questão é: deveríamos nos preocupar com isso?
O que era o Brasil nos períodos citados acima? Uma nação onde a maioria da população era do campo, sem ou com pouquíssima industrialização e com uma estrutura política que ora era uma República Oligárquica, ora uma Ditadura e um Regime Militar (não podemos nos esquecer do período democrático entre a renúncia de Vargas e o início do Regime Militar, mas há de se lembrar que a população teve a capacidade de eleger um ditador… de novo, nessa época).
O que eram os Estados Unidos, nessa época? Uma economia pujante, berço das inovações de mercado, tecnologia e ciências, com uma cultura que iria se espalhar pelo mundo, nos cinemas, nos rádios, terra onde nasceram os moldes e formatos que banham nosso entretenimento até hoje; de uma política onde, por mais de cem anos, não ocorreram golpes em seu sistema – um local de outro mundo, caso um camponês médio do Brasil fosse visitar os Estados Unidos durante a maior parte do século passado.
Se Donald Trump quer fazer a América grande de novo, ele quer colocar seu país de novo como um protagonista ativo, ao invés da posição passiva do governo perante a economia e a política global, nos últimos anos com o Partido Democrata. Em que isso seria ruim? No cenário do mundo atual, temos o ressurgimento de regimes autoritários (a Rússia de Putin: já notaram que ele está há anos na presidência?) e um monstro prestes a ruir chamado China. Se os Estados Unidos não atuarem de maneira rápida, serão sufocados por esses dois titãs que, aliás, não gostam muito dos americanos e sua cultura.
As empresas americanas não são uma ajuda, nos moldes acima. A China conseguiu criar o que deve ser a maior bolha econômica da História com seu governo ditatorial, manuseando a economia e tentando, miseravelmente, criar um capitalismo de Estado – empresas americanas, por conta da mão-de-obra barata e imensamente numerosa, migram para lá e produzem seus bens de venda, afora em um cenário mais global, onde o empresariado americano se vê com uma ampla concorrência em terras estadunidenses, mas com uma impossibilidade de competir dentro de outros países produtores, como o Japão, em certas áreas da indústria, como a automobilística.
Militarmente, a política de Obama foi dar espaço para a política de Putin. Qualquer um que assista no Youtube a uma propaganda estatal soviética (ops…, quer dizer, russa) verá uma ampla denúncia ao Ocidente e seus modos de tratar os problemas internacionais, além de acusações claras e sem rodeios de fraqueza e inaptidão das políticas progressistas e uma exaltação da nova ideologia em voga no oriente europeu, o eurasianismo. A política do partido Democrata de desmilitarizar o quadro internacional de tropas americanas resultou em um crescimento do papel russo na questão militar, e nenhum líder global tem a persona forte o suficiente para fazer frente a Putin… A não ser… O potencial líder, Donald Trump.
Um conserto nesse cenário americano seria de muita valia para o povo de lá, assim como para a política internacional. Por mais que nenhuma política internacional seja limpa, ou transparente, alguém acredita que uma nas mãos mais ativas dos Estados Unidos seja pior ou igual a uma em mãos russas?
Então a célebre, ou famigerada, frase “We will make America great again” não reflete um horizonte ruim para o país de Trump; mas e quanto a nós, em terras brasileiras?
Em comparação com a maior parte do século passado, politicamente o Brasil se encontra melhor. Não há um regime autoritário de qualquer tipo em voga, porém não por falta de tentativas (o PNHD3, o qual Lula disse ter assinado sem ler, foi um belo exemplo disso). Há, porém, um verniz de democracia que paira sobre a nação; uma cleptocracia é o que, em termos práticos, se instala no Brasil, com burocratas corruptos, ávidos por criar novos métodos de taxas para saciar seus bolsos, funcionários públicos que, em sua maioria, são incompetentes devido a uma legislatura que quase impede suas demissões, o que configura, em suma, um aparelho governamental incapaz e desonesto. Se Donald Trump realmente reerguer o protagonismo e o patriotismo americanos, o que será de nós, com um concorrente tão forte como os Estados Unidos de Trump?
Admitindo que ainda estejamos com o pobre estado da política atual, dependeria exclusivamente da boa vontade do nosso Poder Executivo para fazer parcerias com os Estados Unidos. Caso algum candidato inapto, como algum do PSOL, viesse nos governar, com toda certeza tenderia a criar um corte de relações com os EUA, senão, em casos mais graves, um embargo; entretanto, isso está longe de ocorrer: a esquerda mais radical, mais “prafrentex”, está sem moral. Caso o inchaço do Estado ainda perseverasse, não teríamos como fazer frente a um plano geral de Trump que deu certo. Mas quem disse que isso é, no todo, negativo?
Se Donald Trump favorecer a cultura empreendedora de seu próprio país, de fato as empresas nacionais terão problemas graves aqui, mas nesse caso o grande culpado pelo atraso e pouco progresso de empresas brasileiras não seria Donald Trump, mas sim a política regulamentadora do Brasil.
Competir com um mercado estadunidense mais forte que o atual? Só se houvesse uma política econômica mil vezes mais forte que a atual, no Brasil.

