Na Idade Média, um rei, ou algum outro nobre, poderia ser carimbado – em vida, ou após a morte – com um apelido, como o monarca Felipe, o Belo, ou o Imperador Frederico Barba Ruiva, o Rei Ricardo Coração de Leão; Felipe Augusto, Carlos, o Gordo; Carlos, o Temerário; o Príncipe Negro, o Conde Vermelho[1], etc. Felizes tempos em que certas ações refletiriam em como se mostravam, comportavam ou agiam os líderes. Ao menos nesse aspecto (e em muitos outros também, é verdade), o medievo tem um brilho maior que nossa época; contudo, caso Temer fosse um nobre medieval, aposto, teria um apelido muito honesto e claro: Temer, o Frouxo.
Vamos por partes: uma das secretárias de Temer (da secretaria da Mulher, seja lá o que isso for) era contra o aborto. Após um breve tempo de protestos de minorias feministas na internet, a secretária, misteriosamente, passa a aprovar o genocídio intrauterino. Estranho, não? Na época Temer não era o presidente de fato, mas não é preciso muito para perceber que, possivelmente, nosso atual presidente deve ter tido uma conversa com essa secretária. Outro evento estranho foi a dissolução e a recriação do Ministério da Cultura. Bastaram algumas reclamações na internet, artistas irritadiços e umas poucas passeatas (com 10 gatos pingados cada) para que o inútil ministério fosse recriado.
Não foi uma comoção nacional, tampouco o apelo de alguns milhões de brasileiros, mas sim a atenção da mídia para movimentos que, normalmente, não passariam da esquina. Qualquer procissão católica de cidades medianas e pequenas poderia rivalizar com protestos contra os cortes devidos de Temer, qualquer canal mediano de gameplay no Youtube tem mais inscritos do que os leitores de blogs e portais esquerdistas, mas não: a mídia deu uma atenção estupenda para protestos de esquina e Temer se acovardou com isso.
Fica muito fácil para qualquer movimento concretizar suas propostas tendo essa atenção descabida da mídia em geral, mas fica mais simples ainda quando um presidente da República não faz questão de averiguar sequer a quantidade de gente que reclama de suas atitudes.
Se Temer desse uma de Donald Trump, denunciando esse descabimento midiático, mostrando provas, apontando dedos e, quem sabe, exercendo suas influências cabíveis, seu governo não seria talvez tão rejeitado assim; acontece que nosso presidente sequer possui uma posição firme para com suas decisões públicas! Ele volta atrás como quem deixa de comprar um picolé porque acha que o tempo esfriou demais.
Na sua mais recente proposta para a educação, Temer voltou atrás em menos de uma semana de anúncio! Não há postura, não há segurança e nem mesmo força na figura do presidente para apoiar o que quer que seja. Bastam meia dúzia de feministas sem ter o que fazer protestando em outras meias dúzias de cidades, que ele já se curva ante a vontade das esquerdas. Assim fica muito fácil nada mudar, mesmo com a saída do PT.
Sem a postura firme e adequada, o governo de Temer terá dois fracassos inevitáveis: o primeiro será o de sanar o problema cultural do país, ainda dando corda para progressistas que sequer acreditam na existência da Beleza e da Verdade; o segundo será em relação à própria pessoa do presidente, um homem fraco, frouxo e mole como uma geleia. Nenhum líder tem resultados fecundos sendo tão anêmico.
[1] Que eram respectivamente: Felipe IV, Rei da França; Frederico I, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico; Ricardo I, Rei da Inglaterra; Felipe II, Rei da França; Carlos III, Imperador do Império Carolíngio; Carlos I, Duque da Borgonha; Eduardo de Woodstock, Príncipe de Gales; Amadeu VII, Conde da Saboia – Michel Temer, presidente dos bruzundangas, por fim.

