O título pode parecer sensacionalista – ao menos na parte que diz respeito à imprensa estrangeira -, mas logo ficará claro que é a mais pura verdade. No caso de Dilma, o fato de que ela e o petismo atuam em oposição aos verdadeiros interesses pátrios não necessita de maiores demonstrações; no entanto, em um gesto de afronta aos milhões de brasileiros inconformados, pretendendo guerrear contra seu povo e ofender seu país até o último minuto, a presidente foi à Nova Iorque em reunião da ONU denunciar o suposto “golpe” em curso no Brasil.
Na manhã de hoje, representantes de 195 países se reúnem na cidade para participar da assinatura de um acordo climático. Em oportunidade que nada tem a ver com o assunto, portanto, Dilma, que já havia concedido entrevista coletiva a jornais estrangeiros, principalmente europeus, alardeando sua versão estúpida de vítima perseguida – o que, recordamos, para nossa surpresa, não “colou” nem mesmo para o esquerdista Le Monde –, pode abrir a boca novamente para nos chamar de golpistas e criminosos antidemocráticos. Não está definido. Ministros do STF criticaram a possibilidade e o discurso persistente da ex-guerrilheira em desautorizar todo o processo vigiado por eles – em que, aliás, eles introduziram uma inovação a favor do governo, a de um suposto direito do Senado de julgar novamente a admissibilidade, fase que começa semana que vem e não está prevista na Constituição -, a oposição prometeu reagir e enviou também representantes para os Estados Unidos, e, com isso, já há fontes sugerindo que Dilma recuará de sua ousadia. A conferir.
Se não recuar, porém, ela já terá usado seus porta-vozes na imprensa esquerdista do exterior para difamar as poucas coisas que funcionam no seu próprio país, a despeito dela própria. Não nos referimos aqui aos países da América Latina e à Organização dos Estados Americanas, na figura de seu secretário-geral uruguaio Luis Almagro, que compreensivelmente se apiedam do coração econômico do nefasto bloco bolivariano do continente. Referimo-nos à parte da imprensa norte-americana e europeia, mais particularmente à CNN.
Muitos jornais deram ênfase à corrupção instalada no nosso Congresso, como se isso fosse um argumento que tornasse inválido o processo de impeachment. É o tipo de narrativa que interessa ao petismo; não os culpamos tanto, porém, pelo desconhecimento da intimidade social e ideológica de uma gangue de esquerda que tomou de assalto esta parte do mundo e se sustenta a partir dos seus sócios brasileiros. Ao menos não estão mentindo. O mesmo, porém, não posso dizer do senhor Greenwald, no programa da conhecida apresentadora e jornalista da referida emissora americana, Christiane Amanpour.
Glenn Greenwald é um jornalista americano, especialista em Direito Constitucional, que vive no Rio de Janeiro e venceu o Prêmio Pulitzer por uma reportagem sobre Edward Snowden. Muito interessante o seu currículo, mas são particularmente tolos aqueles que acham que títulos nos impressionam quando se trata de defender verdades, e aqueles que supõem que sua presença afasta a influência dos interesses mesquinhos e menos felizes. A imprensa internacional também está tomada pela esquerda em boa medida – e não, não estou falando de nenhuma conspiração comunista superpoderosa tramada de dentro de um mesmo escritório cujas teias afetariam o planeta, antes que algum doente venha matraquear isso. Estou falando de uma tendência mundial que as esquerdas lograram êxito em construir, e que se revela a olhos vistos, sem qualquer ocultação a não ser a anestesia moral a que as pessoas estão submetidas.
Greenwald foi encarregado de dizer a Amanpour o que está ocorrendo no Brasil e se limitou a reproduzir o que ouviu em conversas com os mandatários do Partido dos Trabalhadores. Mentiu descaradamente sobre nosso país, inventou uma suposta ausência de constitucionalidade no impeachment e debochou irresponsavelmente de uma nação com milhões de habitantes. Pois afirmamos: para o Inferno suas comendas! Ninguém sabe melhor o que vivemos e passamos do que nós! Ninguém conhece o Brasil melhor do que os brasileiros! É notavelmente risível que nossos vermelhos, acostumados a cuspir nos Estados Unidos, nos “gringos”, nos “malditos ianques capitalistas”, estejam se vangloriando em orgasmos múltiplos por conta de uma reportagem patética de uma emissora de televisão americana. Não é suficiente para nos impressionar.
Tal mentiroso contumaz promovido a garoto-propaganda do petismo no exterior foi desmentido pelo site O Antagonista, que escreveu artigo endereçado à apresentadora do programa, e por vários brasileiros que comentaram nos perfis de Amanpour nas redes sociais. Além disso, está marcada para hoje uma manifestação de brasileiros nos Estados Unidos contra as falsidades venenosas de Dilma. Bravo! Queremos enaltecer todas essas medidas. Incapazes de sustentar seu tentáculo podre de ilusões sobre os brasileiros, os petistas querem agora lançá-lo, em um ato final de desespero, sobre os países desenvolvidos. Como dizem por aí, não passarão!
ATUALIZAÇÃO: Felizmente para nosso país, o bom senso falou mais alto, o que raramente acontece, e a presidente Dilma disse apenas, em seu discurso na ONU, que o Brasil tem uma “pujante democracia” e saberá “impedir quaisquer retrocessos”. Devemos aqui congratular a presidente – ou seus assessores – por terem tido um gesto derradeiro de valor.








O deputado federal pelo PSC, Jair Bolsonaro, e o deputado federal pelo PSOL, Jean Wyllys, conhecidos por suas desavenças de longa data, cometeram erros significativos na hora de proferirem seus votos. Este último, um socialista intolerante, cuspiu no rosto do primeiro depois de votar; alegou que havia sido ofendido, embora os vídeos não pareçam confirmar sua versão histérica. Nada, absolutamente, justifica sua atitude. Agora, algumas linhas sobre a questão Bolsonaro; já o defendemos noutras oportunidades das distorções realizadas pela esquerda e pela mídia, e continuaremos a fazê-lo. Trata-se de um parlamentar que sempre fez discurso de oposição, enfrentou duramente o petismo, teve coragem de dizer verdades nas fuças dos seus próceres vermelhos, combateu o conluio do regime com ditaduras socialistas, combateu o conteúdo sexual precoce em aulas para crianças nas escolas, a doutrinação ideológica nos colégios, etc. – bandeiras em que é seguido por seus filhos. Apesar disso, Bolsonaro, em parte pela sua formação militar e pelo apoio eleitoral que teve, ao começo de sua carreira, sobretudo nesse grupo social, adota algumas posturas que, se guardam algum mérito em si mesmas, também assumem as raias do caricato, a respeito do regime militar e do movimento de 1964. Em oportunidade histórica que não tinha absolutamente nada a ver com esses fatos distantes no tempo, Bolsonaro lembrou que a esquerda radical foi derrotada em 64 e “perderá de novo”, e exaltou a memória do militar Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de torturas durante o período. Já ao começo, Bolsonaro elogiou Cunha pela condução do processo de impeachment. Reparemos que duas das afirmações de Bolsonaro são simplesmente verdadeiras: de fato, em um cenário extremo e polarizado de Guerra Fria, o movimento de 64 representou, apesar do atalho ilegal de que fez uso para isso – Auro de Moura Andrade cassou João Goulart enquanto ele ainda estava no país, embora distante da capital -, uma reação e um desmonte de um governo que atacou os mandatos estaduais de oposição, perturbou o Congresso, permitiu a movimentação dos comunistas (dentro e fora de sua máquina pública) e emitiu, sim, sinais muito preocupantes de inflexão rumo a um esquerdismo autoritário (embora não fosse, ele próprio, comunista). De fato, em 64, a extrema esquerda foi detida; infelizmente, os militares depois acabaram traindo sua promessa e não convocaram novas eleições – e afirmamos: um país governado por um Carlos Lacerda ou até um Juscelino Kubitschek poderia perfeitamente combater o terrorismo socialista sem precisar de um regime de exceção prolongado. Esse problema não anula a verdade anterior. Da mesma forma, parabenizar Cunha pela condução do processo é nada mais do que justo; isso não significa dizer que ele é inocente ou que é um grande homem. Bolsonaro falou verdades; a única coisa que realmente podemos julgar imoral é enaltecer Brilhante Ustra, muito embora pouco conheça de sua biografia e, até onde eu saiba, as acusações contra ele ainda sejam passíveis de discussão. O grande erro de Bolsonaro, isto sim, é um erro político; Cunha e o regime militar ocupam posição negativa no imaginário de boa parcela da população, e, em boa medida, por razões justas. Evocar seus pontos positivos, com ou sem razão, na hora de manifestar um voto decisivo em um contexto democrático, quando toda a esquerda se esforça por associar o impeachment de Dilma à tão “temida e odiada ditadura”, é uma falha grosseira. Se o PSC e Bolsonaro esperam fazer de sua aliança uma alternativa à direita com chances reais em uma eleição majoritária, é forçoso reconhecer que terão muito trabalho. Os cacoetes militaristas de Bolsonaro são marcas de sua autenticidade e espontaneidade, mas têm se mostrado obstáculos para um objetivo maior. Isso não significa que devamos desprezar a aproximação que ele tem promovido com ideias e círculos mais liberais, no que também é seguido por seus filhos. Mas verdades devem ser ditas, erros são erros, problemas são problemas, e ele os comete.
Não obstante, vale frisar que inúmeros parlamentares de esquerda, petistas e comunistas, enalteceram líderes de causas totalitárias e assassinas, como Luiz Carlos Prestes e Carlos Marighella. 






O deputado tucano, Carlos Sampaio, se portou com extrema firmeza tanto quando teve que tomar a palavra para opinar, quanto quando precisou substituir o presidente da comissão. Ele seria nosso destaque positivo pessoal nessa comissão. Outros deputados fizeram discursos muito bons, como Marcos Feliciano (PSC), que fez referência a todo o contexto geral da ameaça que enfrentamos na América Latina e situou o PT em seu devido lugar (com o senão de um elogio um tanto exagerado a Fernando Henrique Cardoso); a também tucana Marcela Carvalho, que apelou à sensibilidade dos brasileiros; e o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA),
Ary Fontoura espinafrando Dilma no Faustão: A atitude corajosa do consagrado ator Ary Fontoura é digna de nota. Contrariando uma considerável maioria da classe artística que se acostumou às benesses do Estado e se tornou cúmplice do regime lulopetista, Ary, com mais de 80 anos, se disse feliz com o interesse dos brasileiros pela política e fez questão de lembrar que estamos na semana mais importante de nossa história recente em razão do desfecho do processo de impeachment na Câmara. Disse que a presidente Dilma se equivoca ao falar que o impeachment seria um golpe, pois golpe, de fato, foi a mentira que martelou para seus eleitores em campanha. Merece os parabéns; sua declaração veio em excelente hora e nas condições ideais para atingir a média do povo.
Áudio de Michel Temer vazado: Supostamente por acidente, “vazou” um áudio do vice-presidente Michel Temer em que ele estaria “ensaiando” um discurso a ser proferido em caso de vitória do impeachment na Câmara dos Deputados. O discurso, diga-se de passagem, está muito bem estruturado para quem estaria apenas fazendo um ensaio. Seja como for, é politicamente muito equilibrado; sinaliza para a necessidade de reformas que podem ser impopulares, ao mesmo tempo em que não avança na sugestão de cortar os “programas sociais”, o que jogaria mais lenha na fogueira no atual momento de impasse e tensões (embora especule que em algum momento esses programas podem deixar de ser necessários). Afaga os estados, envolvidos em dificuldades profundas e grandes dívidas, e enaltece a importância do setor produtivo. Defende um governo unido de salvação nacional e uma articulação para encerrar a fase de crise. Postos de lado os defeitos do PMDB e do próprio Temer, o discurso deixa transparecer que, como já imaginávamos, seu governo tende a ser bastante superior ao governo Dilma (o que, diga-se de passagem, não é exatamente difícil).


Os políticos se dividiam, como apontamos, basicamente nos Partidos Liberal e Conservador, sendo este último o destaque da obra. Ao definir seu pensamento, João Camilo elenca alguns de seus temas mais importantes e seu conteúdo ideológico; é importante, porém, já de início, deixar claro que, independente da nossa simpatia por um ou outro lado, ou por nuances e alas dentro dos partidos e suprapartidárias – com destaque, por exemplo, para a questão do abolicionismo, que tinha partidários do Partido Liberal e do Partido Conservador, e oponentes também de ambos os partidos -, a estrutura como um todo era um esquema muito interessante em que os “liberais” muito PROPUNHAM, eventualmente devaneando – o que não quer dizer que nada fizessem de concreto; a Lei Saraiva, que criou o título de eleitor, foi uma inovação Liberal -, enquanto os “conservadores” muito MANTINHAM das bases constitucionais e “reformavam para conservar”, seguindo a boa e velha receita de Edmund Burke e, sendo assim, muito REALIZAVAM. Em geral, as maiores conquistas foram consolidadas e estabelecidas pelo Partido Conservador, ainda que eventualmente sob a pressão do Partido Liberal – a abolição, de novo ela, foi sucessivamente conquistada por gabinetes conservadores até o da Lei Áurea, presidido por João Alfredo, em discordância radical do também “saquarema” (apelido dos membros do Partido Conservador, em oposição aos “luzias”, do Partido Liberal”) Barão de Cotegipe, defensor incansável do regime escravocrata. Sem avançar em que a divisão partidária não tinha um desenho geral com sentido, o autor demonstra que havia membros do Partido Liberal com espírito conservador em diversas questões e vice-versa, o que corrobora a ideia – a nosso ver pessoal, até hoje viável – de que os conceitos “liberalismo” e “conservadorismo”, considerados em generalização e abstração, são uma coisa bem diferente das cores que assumem, por vezes mescladas, em suas realizações através de homens e práticas partidárias, e mais ainda, sua aplicação aos dilemas e questões de cada lugar ou época. De fato, a mistura saudável dessas duas matrizes de pensamento é a postura que particularmente preferimos.
Se um dos temas centrais em discussão era a centralização ou descentralização de poder, Camilo sustenta que os saquaremas preservaram uma autonomia significativa às províncias, apenas menos do que queriam os luzias. E menos porque queriam garantir uma vitória: a UNIFICAÇÃO, a unidade nacional. Queriam evitar a anarquia violenta e a divisão do país em republiquetas despóticas, tal como se deu na maioria dos pequenos países da América Latina daquele tempo. Enfrentavam, com isso, abusos e ilegalidades que já se perpetravam pelas mãos dos líderes regionais de um país rural; impuseram lei e polícia sobre as províncias e formaram um país. O autor acredita, inclusive, que a abolição da escravatura, aceita de pronto pelo território nacional inteiro, sem um conflito violento como a Guerra Civil dos Estados Unidos – que, dado o poder das províncias mais notoriamente escravagistas do Brasil, poderia ter sido vencida, aqui, pelo lado menos interessante -, só foi possível pela obra de integração nacional edificada pelo Partido Conservador. É graças a eles que existe um Brasil. Sem deixar de exibir sua grandeza, hoje reconhecida e admirada por quem se dispõe a conhecê-los, Camilo não deixa de mostrar lados menos luminosos de grandes luzias, como Rui Barbosa, que combateu de forma encarniçada o gabinete abolicionista de João Alfredo, considerado um dos melhores governos da história brasileira. De Joaquim Nabuco, um saquarema que virou luzia, herói da abolição, diz que foi um dos liberais com tendência maior de preocupação com as questões “sociais” – chamando-o, a nosso ver inadequadamente, de “socialista”, como chama de “monarquias socialistas” os regimes sociais-democratas da Escandinávia.
