Créditos da imagem: Jornal GGN
Assistimos a cada dia a um novo capítulo da ópera bufa de um líder decaído. É bem verdade, um líder que já nasceu endereçando ao séquito uma ilusão macunaímica, e que nunca poderia ter dado em outro resultado. O arquétipo da decepção dolorosa que os brasileiros experimentaram. O golpe final, porém, está demorando inquietantemente – o que permite ao infame ladino o palco para exibir novos destrambelhos revoltantes.
O ex-presidente Lula decidiu, através de sua defesa, protocolar uma representação na Procuradoria Geral da República contra o juiz Sérgio Moro, o agora célebre condutor de processos na Operação Lava Jato. O documento acusa Moro de violar a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, por “crimes de abuso de autoridade na condução da Lava Jato na primeira instância”, conforme matéria da revista Época. Afirmam no documento que Moro violou a lei ao divulgar áudios de Lula em que claramente se verifica o anseio pela obstrução cretina da justiça, que as providências para investigar o ex-líder sindicalista “não têm base legal” e que a condução coercitiva e a busca e apreensão na casa e nos escritórios dele e de sua família representaram abusos inadmissíveis.
Não têm base legal. Não há nada. Atibaia, Guarujá, tráfico de influência, as palestras extremamente suspeitas, nada existe. As delações premiadas que o mencionam, que o situam no centro de todo o grande jogo do poder nefasto no Petrolão, nada existe. Convenhamos; todos sabemos que as razões do queixume são outras. Lula martelou sua ilusão de tal forma que seu ego monstruoso acabou se deformando, se conformando a ela; ele realmente acredita que é algum tipo de messias, de divindade, de figura impoluta, a quem não se pode provocar um só arranhão. Ser tocado pela Justiça é para ele uma blasfêmia tão intolerável quanto a de um pagão na Antiguidade ao provocar a ira de um deus.
Temos uma má notícia, Lula. Não estamos em 2002. Não estamos nos anos 80. Estamos em 2016. Vocês já chegaram ao poder. Vocês já o tiveram nas mãos. Vocês já destroçaram o país, tanto quanto podiam. Vocês já tropeçaram na própria lama. O tempo passou. Se o miasma deletério da degradação cultural permanece, se seus filhotes dos partidos menores de extrema esquerda permanecerão ainda e teremos um doloroso e incerto trabalho pela frente para resgatar a pátria, por outro lado, a sua máscara já caiu. Se por alguma artimanha do destino você conseguisse retomar as rédeas dos nossos rumos institucionais, aos fatos: você realmente acredita que o povo o aclamaria? Realmente acredita que teria um só segundo de paz no comando do Brasil?
Na tentativa de realizar o impossível, Lula decide golpear o homem que encarnou – e não entrarei novamente no mérito quanto a isso ser excessivo ou não – a investigação que movimenta e apimenta o país, escarafunchando a podridão que se entranhou nas estatais e dividiu em beligerância os três poderes da República. A investigação que brindou os brasileiros com a dose de esperança que já se via perdida. Lula, figura nefasta, infeliz farrapo que não aceita o desfecho de sua parte na História, que não se dá por satisfeito com a deterioração que impôs a si mesmo: de que lado acha que o povo ficará, caso você realmente provoque essa guerra perdida? Do seu ou de Sérgio Moro?
Não tenho dúvidas. Seu ocaso não é uma questão de vingança ou revanchismo. É uma questão de restabelecer a justiça e a saúde do Brasil. Você será derrotado. Você já está derrotado.

