Em destaque, abertura do congresso da Juventude Comunista Brasileira, realizado em abril do ano passado, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da … Tchan, tchan… UFRJ!
Na noite de sábado, 2 de julho, o aparecimento do corpo do aluno de Letras Diego Vieira Machado, com sinais de espancamento, nas dependências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, chocou os estudantes e a sociedade carioca. Deve chocar mesmo; qualquer pessoa civilizada, qualquer mente sã, qualquer pessoa de bem, deve se horrorizar e lamentar a barbárie, que manifesta, novamente da maneira mais crua, a extrema insegurança em que vivemos todos nesta cidade – seja qual for a nossa orientação sexual, seja qual for a nossa cor de pele. Todos corremos perigo. Todos corremos riscos. Todos somos alvos naturais da violência pelo simples fato de sairmos de casa – e, às vezes, mesmo ficando nela. Caberia à polícia investigar e descobrir a razão dos fatos, cabe à sociedade como um todo refletir acerca desse enorme problema e reivindicar mudanças no sistema de segurança pública, mudar de mentalidade a respeito.
E é isso. Ou deveria ser. Mal esperou que a família chorasse a partida do rapaz, mal esperou que seu corpo fosse velado, a esquerda carniceira já quis transformar sua tragédia em uma bandeira a ser hasteada em nome de seus ideais tortos. Já quis, de pronto, diagnosticar a razão da morte – homofobia, é óbvio, considerando-se que o estudante era homossexual. Mesmo que seja essa a razão, e não descartamos, a esquerda, nem bem a primeira gota de lágrima da família havia caído, já extraiu consequências sociológicas extremas: o rapaz falecido é vítima da presença de uma “extrema direita” assassina nas universidades e na sociedade, que está movendo uma onda radical a ser combatida duramente. É essa a interpretação desses mentirosos contumazes. Antes fossem apenas alunos acéfalos; tais besteiras inomináveis e insensíveis, incitando a perseguição a todos os estudantes liberais e conservadores da UFRJ, partiram, lamentavelmente, dos professores e líderes de diretórios acadêmicos, prontos a se horrorizarem diante da “onda fascista” nas universidades. Fascismo esse que, até onde me consta, analisando-se o seu sentido técnico, implica o anseio por cercear a discussão de ideias divergentes. Então vamos conhecer alguns fascistas de verdade?
A começar por Pedro Paiva, estudante de Comunicação e diretor do DCE do curso, onde, aliás, eu estudei. Em matéria do jornal O Dia, comenta-se que estaria circulando um e-mail com ameaças a alunos bolsistas da universidade, o que, segundo o jornal, “revela o tom de grupos conservadores que atuam dentro da instituição”. O e-mail esdrúxulo é assinado por uma tal “Juventude Revolucionária Liberal Brasileira”. Sugiro aos amigos liberais propriamente ditos que observem a “tosquice” do e-mail, que o jornal, sem qualquer comprovação, associa aos “grupos conservadores que atuam dentro da instituição”, e, mais do que isso, o faz em tom de generalização absolutamente inverídico e indesculpável. Do seu círculo de relações, amigo leitor, você conhece quantos conservadores ou liberais capazes de enviar uma mensagem ridícula como essa para alguém? Quantos liberais você conhece que querem eliminar quem supostamente ataca “o catolicismo”, ou que se jactam de representar a “Juventude Revolucionária”? Acho que alguém confundiu os liberais brasileiros modernos com os antigos comunas que defendiam pegar em armas para derrubar o governo… apreciem o ridículo.

Pois é. Esta palhaçada acima, que teria partido “de um computador no Canadá”, foi o bastante para fundamentar toda uma matéria jornalística condenando qualquer grupo jovem liberal ou conservador na universidade – como o UFRJ Livre, cuja página no Facebook foi derrubada na mesma semana. Foi o bastante para ouriçar todos os fascistas empedernidos que se alimentam do ambiente acadêmico para instigar alunos lobotomizados.
Pedro Paiva, entrevistado pelo O Dia, argumentou que “grupos fascistas e conservadores atuam há algum tempo na universidade e ameaçam alunos, professores e outros servidores”. Segundo ele, “eles fazem comentários homofóbicos, os banheiros são pichados com frases como ‘morte aos homossexuais, morte aos gays’”. Estudei na ECO até o meio do ano passado, na mesma unidade em que Pedro Paiva comanda um diretório acadêmico, e confirmo que existem rabiscos grosseiros e imbecis nos banheiros da universidade – inclusive rabiscos de símbolos comunistas e frases de apoio ao PSOL e quejandos, que não poderiam ter vindo dos “hediondos grupos de direita” que Pedro Paiva acredita existirem. Não deveria haver rabisco algum se nossos estudantes fossem minimamente civilizados; infelizmente, existem muitos BABACAS no mundo, e é possível que haja aqueles que levam a babaquice ao nível de prática criminosa. Cabe, frise-se novamente, à polícia definir isso.
Pedro Paiva não se detém aí. Para ele, “algumas páginas no Facebook de grupos fascistas e conservadores já foram identificadas: UFRJ da Opressão, UFRJ Livre e Liberta UFRJ”. Ele deseja “providência em relação aos grupos que pregam o crime de ódio”. O que Pedro Paiva está insinuando? Que páginas que defendem o liberalismo (a divisão de poderes, a retração do Estado, a liberdade econômica, o direito à expressão individual, whatever) são “fascistas” e “propagadoras do crime de ódio” e precisam ser tomadas “providências” em relação a elas? Que providências seriam essas? Censura? Perseguição aos alunos? Prisão, suspensão, expulsão de um estudante que divulgar ideias de Mises ou Olavo de Carvalho no Facebook? O que é isso, senhor Pedro Paiva? Estamos combatendo a intolerância ou estabelecendo na universidade brasileira o Quarto Reich?
Outra fascista, que também foi diretora da Escola de Comunicação, é a senhora Ivana Bentes. Pouco depois do trágico incidente, sem qualquer evidência de suas afirmações, a ilustre pesquisadora vomitou seu bolo fecal de certezas. Confira logo abaixo.

Ai, ai, vamos ver por onde começamos… A senhora Ivana Bentes, assim como Pedro Paiva, está horrorizada porque páginas no Facebook de estudantes liberais… existem! “Querem disputar as universidades públicas, que absurdo! ”. É isso, tão somente isso. Ela preferiria que não houvesse nenhuma, porque o simples fato de correntes políticas liberais e conservadoras circularem na universidade é uma aberração monstruosa. Aberração monstruosa, também, é “apagar pichações” e questionar o “uso recreativo de drogas” dentro dos prédios universitários. Legal mesmo é o estudante que sai empesteando o patrimônio com rabiscos mal feitos e perturbando o ambiente com o odor da “erva”. Legal mesmo é o maconheiro de miçanga que não quer estudar e cruza os dedos pedindo “paz e amor”, enquanto se transforma em um eterno inútil!
Mais uma vez, fazendo coro a seus colegas que não admitem a quebra do obscurantismo, Ivana Bentes ataca o Movimento Brasil Livre, que pede o impeachment de Dilma Rousseff, e o Escola Sem Partido – sendo que sua publicação é uma das mais perfeitas comprovações da NECESSIDADE do projeto. Despreza o problema da segurança, e se julga tão sábia, mas tão sábia, que é capaz de fazer o trabalho da polícia. Pedro Paiva e Ivana Bentes já sabem por que Diego Vieira Machado foi morto. Não é preciso fazer perícia, questionar suspeitos, nada disso; basicamente, o UFRJ Livre e outros grupos liberais mataram o rapaz. São culpados! Bingo! Calem todos eles para que possamos continuar a fazer em paz as nossas pregações disfarçadas de aula e de luta pelos interesses dos estudantes. Vamos calar a divergência enquanto, em toda sala de aula, os estudos são constantemente interrompidos por militantes do PSOL atrás de votos para o diretório acadêmico. Nós somos os amantes da liberdade e do conhecimento, nós somos os senhores do bem e da justiça – morte a esses reacionários fascistas! Quanta tolerância iluminada…
Nossa terceira fascista da UFRJ é a professora Georgina Marins, da faculdade de Letras. Sobre essa, sequer farei qualquer comentário. A imagem vale por mil palavras que eu pudesse formular.

Que doçura, não é mesmo? Lembrou-me uma discussão que tive certa feita com um comunista, em que ele me disse que os gulags existiam por conta de pessoas como eu. Fico comovido com o amor dessas pessoas pela diferença de opinião…
Parafraseando a Ivana Bentes, “na real”, baseados em um e-mail suspeito e esdrúxulo, interpretado de maneira generalizante, e em agendas pré-construídas para encaixar um fato dramático em categorias ideologicamente manipuladas, estão basicamente culpando os jovens liberais e conservadores da universidade pelo crime, apenas motivados pela alergia de ver alguma coisa que não militantes lunáticos – cuja variedade impressionante de pensamento vai do PSOL para a esquerda -, colocando ideias diferentes para circular dentro do ambiente acadêmico. Os “fascistas”, os VERDADEIROS “fascistas”, são os estudantes de DCE que pretendem resolver tudo no grito, e, principalmente, os senhores professores que, irresponsavelmente, instigam a turba de imbecis e demonizam a expressão de qualquer ideia que afronte as suas utopias de adolescência.
Não devemos ser como eles. Não devemos explorar politicamente a tragédia e brincar com a dor alheia. Contudo, não devemos nos calar perante a injustiça. Nossa luta tem razões maiores do que as nossas pessoas individuais; ela abarca a liberdade de dizer e pensar, a liberdade de divergir, em um ambiente em que tentam fazer do pensamento crítico e realmente autônomo uma grande farsa; em que a obscurantista censura é sustentada sem rubor por protótipos de tiranos. Se algum criminoso silenciou o futuro de Diego Machado, nós todos lamentamos, como seres humanos; não é motivo para silenciar mais inocentes, quer pela barbárie física, quer pela opressão do pensamento. Essa causa não é de vocês, porque o que vocês mais odeiam é a liberdade; mas ela há de vencer, enquanto houver quem esteja disposto a lutar por ela.
O tempo de intimidações tem que acabar. Não podemos admitir generalizações que associem todos os estudantes liberais ao crime mais monstruoso, não podemos admitir censura; se necessário, devemos recorrer às medidas judiciais cabíveis. Basta!

