(Créditos da imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress)
O circo de nulidades – e novamente me penitencio pela ofensa metafórica aos circos – que grassa em nosso horizonte político não pode deixar de ser, tamanha a sua intensidade, marcado por espetáculos que estampem o seu ridículo. Mais do que isso: que explicitem seus paradoxos internos. O show sem graça do esdrúxulo deputado Waldir Maranhão (PP-MA), alçado à presidência interina da Câmara pelo afastamento de Eduardo Cunha, foi um deles.
Logo pela manhã, o parlamentar pregou uma peça no Brasil, uma autêntica chicana, emitindo uma decisão que anula a sessão da Câmara dos Deputados em que a admissibilidade do impeachment foi aprovada – frise-se, com o acompanhamento ansioso de milhões de brasileiros. A decisão de 367 deputados foi considerada inválida, com base em argumentos periféricos de caráter regimental que já estão para lá de rebatidos, vários dias depois de aquela casa já ser considerada passado no processo contra Dilma Rousseff. O que Waldir fez foi uma agressão ao povo e aos seus representantes, por pior que seja a qualidade deles.
A despeito disso, depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, contrariando seus recentes instintos governistas, decidiu oficialmente ignorar a estrovenga e seguir com o ritual planejado – que deve culminar com a votação do afastamento de Dilma na quarta-feira -, os senadores “dilmistas”, em especial a senadora do PCdoB Vanessa Grazziotin, se descabelaram no Plenário para defender Maranhão, alvejando até mesmo a oposição por supostamente estar desqualificando o maranhense – como se ele precisasse de ajuda para isso. Os mesmos que se escandalizaram com os discursos dos deputados na hora de votar não veem nenhum problema em encampar a postura ridícula e a demonstração de estupidez de uma figura que não está nem um pouco à altura dos conhecimentos necessários ao cargo que ocupa; os mesmos que não têm pudores em demonizar Eduardo Cunha aplaudem Waldir, também investigado na Lava Jato, por sua atitude imbecil e intempestiva. Ficou mais claro do que nunca de que lado está o golpismo, e quem são os hipócritas.
Além do presidente interino da Câmara e dos senadores governistas, o espetáculo do ridículo que os desesperados defensores do regime lulopetista vêm protagonizando teve outro palco: o Salão Nobre do Palácio do Planalto. De maneira vergonhosa e inadmissível, militantes de esquerda invadiram o espaço e o preencheram com cartazes contra o “golpe”, em defesa de Dilma e em “comemoração” à decisão de Waldir. Comemoração, desnecessário dizer, tão efêmera quanto a agitação produzida pelo documento, sepultada tão logo Renan se pronunciou. Todos que participaram dessa “manifestação”, ocupando, com óbvia “vista grossa” do governo, a ambiência de uma instituição de Estado que deve se prestar a sediar os atos executivos da Presidência da República no exercício de sua função, são invasores que desrespeitam suas finalidades e depreciam as regras de civilidade. Não é a primeira vez que Dilma permite que esse espaço seja usado como palanque para sua claque de sempre.
A Câmara dos Deputados e o Palácio do Planalto foram alvo das cenas mais bufas e da desmoralização mais extrema. Os atores desse espetáculo patético, com toda a certeza, tiveram a nação como a última de suas prioridades. Suas exibições de desespero não cessarão o avanço da justiça sobre Dilma Rousseff. O estrago, porém, que produzem na imagem do país, tornando o Brasil ainda mais digno de zombaria perante a comunidade internacional, já está feito.

