O presidente interino Michel Temer foi vice do PT por muito tempo. Não é nenhum santo, nenhum ídolo. No entanto, se já reconhecemos a correção da postura de José Serra no Ministério das Relações Exteriores, duas outras boas notícias vieram da equipe da atual administração do país. Elas envolvem dois dos pontos mais sensíveis para os brasileiros desde sempre, mas sobretudo na crise atual: a economia e a segurança.
O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, afirmou que o governo está desenvolvendo um projeto de desburocratização para reduzir o famigerado “custo Brasil”. No site da Presidência, lê-se que o que eles querem é “a simplificação de processos”, a fim de que isso “ajude a melhorar o ambiente de negócios e a competitividade das empresas nacionais”. O ministro expressou com objetividade o espírito da reforma: “quando você desburocratiza, você gera, também, desenvolvimento, porque reduz custos. E quando você reduz custos, você gera investimentos”. Marcos Pereira afirma querer retirar um pouco da montanha de obrigações e regras superficiais que o Estado impõe às empresas.
Devemos lembrar aos anticapitalistas renitentes – ao menos aos que ainda são suscetíveis de ser chamados à razão – que modificações assim não beneficiam apenas aos poderosos e supostamente “insensíveis” empresários cheios de más intenções. Todo o universo do empreendedorismo seria beneficiado; com isso, o desemprego seria reduzido e a inovação, estimulada. Reformas relevantes nesse campo demandarão uma comissão montada pelo próprio ministério e outros órgãos do governo para avaliar caso a caso – até porque, feliz ou infelizmente, é preciso lidar não apenas com as dificuldades específicas de cada setor, mas também com os limites impostos pela complicada Constituição de 1988.
Sabemos que no Brasil, é costume abusar de fazer afirmações e explorar a retórica, para desprezar por completo os “finalmentes”. Já chegamos até a ter um Ministério da Desburocratização, o que prova que falar não significa muita coisa. Por isso falamos em ideias, sinais, no máximo; não conquistas, ainda. A preocupação com o assunto, mesmo assim, reverbera alguma sensibilidade do governo a essa demanda urgente.
Já o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, fez mais declarações de colocar os “bonitinhos” dos “direitos humanos” à esquerda – isto é, direitos para os bandidos, nenhum para o cidadão de bem – de cabelos em pé. Ele disse que sua prioridade é investir em equipamentos para inteligência e equipamentos bélicos, e que, além de diminuir o tempo para compra oficial de armamentos no país, ele quer emitir um decreto para permitir aos policiais que façam uso de armas apreendidas com criminosos.
Atualmente, os policiais precisam destruir esses armamentos, empregados à vontade pelos criminosos, que desfrutam da vantagem enquanto os policiais, já suportando uma rotina difícil, estão à mercê do discurso coitadista e vitimista alastrado pela “intelectualidade” mal-intencionada do país e suas amebas adestradas. Se a turma do PSOL provavelmente vai ficar ressabiada, o povo aplaudirá a efetivação desse propósito.
O que os brasileiros mais querem é dinheiro no bolso, pujança econômica e o mínimo de tranquilidade no ir e vir. As duas declarações, se levadas a efeito, representam medidas que nos podem encaminhar nesse cenário. Fica a torcida para que, com todos os seus defeitos, o presidente Temer esteja sinceramente interessado em entrar para a História e deixar um legado como estadista.










