• Home
  • Sobre
  • Textos Antigos
  • Resenhas
  • Entrevistas
  • Reflexões
  • Eterna Vigilância
  • Outros Autores
    • Hiago Rebello
    • Catarina Rochamonte
    • Rodrigo Mezzomo
    • José Lorêdo Filho
    • Laircia Vieira
  • Contato

Sentinela Lacerdista

  • Home
  • Sobre
  • Textos Antigos
  • Resenhas
  • Entrevistas
  • Reflexões
  • Eterna Vigilância
  • Outros Autores
    • Hiago Rebello
    • Catarina Rochamonte
    • Rodrigo Mezzomo
    • José Lorêdo Filho
    • Laircia Vieira
  • Contato

Acompanhe nossas matérias!

    Resenhas

    “Brasileiro é otário” faz crítica necessária, ainda que dolorosa

    Escrito por Lucas Berlanza

    ESTE ARTIGO FOI ORIGINALMENTE PUBLICADO NO SITE DO INSTITUTO LIBERAL.

    Em defesa de uma mesma causa ou de princípios e objetivos similares, abordagens e personalidades diferentes podem e devem tomar sua parte. Talhado pela cultura brasileira e, particularmente, pela cultura carioca, meu esforço maior sempre foi no sentido de uma orientação política que repudiasse o vira-latismo (tão bem denunciado por Nelson Rodrigues), também ele sintoma das doenças do Brasil, e que cultivasse o sentimento patriótico, almejando o entendimento preciso da nossa realidade para reconhecer que há algo de bom por que lutar.

    Em seu novo livro, Brasileiro é otário? – O alto custo da nossa malandragem, o economista e colunista Rodrigo Constantino, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Liberal, faz um trabalho em certa medida oposto, mas igualmente necessário: o de fustigar o que, no meio do caminho da nossa formação como sociedade, ficou transviado da rota do saudável e do equilibrado. O livro, embora nos chame a atenção sua passagem por essa seara, não se pretende um tratado sociológico; o tempo inteiro ele é uma provocação violenta, uma agulhada insinuante, necessária – ainda que dolorosa -, no que para alguns seria característico da nossa identidade: o “jeitinho brasileiro”, o “estilo malandro”, a ânsia por descumprir limites e normas para conquistar vantagens e atalhos.

    Constantino compara o gesto de apontar o dedo para essa ferida com o ato do pai que, mesmo amando seu filho, deseja livrá-lo, por exemplo, do mal das drogas. Amá-lo, e devemos amar, não pode ter outra consequência que não a de desejarmos o melhor para ele. Assim o patriota deve se sentir em relação ao seu país. “Patriotismo”, elucida o autor, “não é fechar os olhos para nossos males; ao contrário: é enfrentar os desafios que se apresentam em nome de um país melhor”.

    O patriotismo não está, obviamente, naquele que “endossa um pessimismo crônico, um fatalismo torpe, fruto de um complexo de vira-latas que trata tudo que é nacional como se lixo”; contra esses eu costumo me voltar particularmente, em especial porque, entre os chamados conservadores e liberais, paradoxalmente há muitos, deixando o caminho livre para que a esquerda se identifique com o sentimento de patriotismo no imaginário popular. Balela; o que ela representa mesmo no país, em geral, historicamente, é o outro lado da doença brasileira: o do “nacionalismo boboca, ufanista, que só lhe permite enxergar coisas boas e o faz rebater toda crítica como se de um inimigo”. A nosso ver, combater a primeira postura é lutar para qualificar o remédio contra a doença, pois o vira-latismo funciona como uma verdadeira sabotagem; combater a segunda é impedir a cegueira e permitir a identificação do agente patógeno. É este último trabalho que Constantino entendeu por bem realizar.

    Dividindo em quatro partes, o livro inicia questionando as origens do “jeitinho brasileiro”, as origens desse desprezo pelas normas e pelo caminho correto. O autor não deixa de reconhecer um potencial valor na nossa afetividade e nos aspectos de descontração do nosso jeito de ver o mundo – ele faz menção, por exemplo, aos costumeiros encontros e cumprimentos calorosos dos brasileiros no estrangeiro, mesmo que eles jamais se tenham visto na vida e jamais se vejam de novo.

    Admite também que “a interculturalidade, por exemplo, fruto do grande melting pot que é nosso país, um caldeirão de etnias, pode ser grande trunfo em um mundo com choque de povos e religiões”. Ainda, “a flexibilidade e o jogo de cintura podem ser formas adaptativas interessantes se não descambarem para a malandragem e o jeitinho”. Constantino pontua, porém, que a coisa saiu dos eixos e nos levou a um “tribalismo” arcaico, afastando-nos desagradavelmente da impessoalidade do conceito do império das leis, constante do liberalismo clássico.

    Para esse tipo de postura, se somos todos uma “grande família”, o “tio” do caixa do restaurante, o “chapa” do táxi ou o “amigo” da fila do supermercado podem sempre “dar um jeito” para que seus “parentes” desconhecidos não precisem se submeter aos processos que são esperados das outras pessoas.  Por outro lado, essa mentalidade, em termos de economia global, se torna “deletéria”, porque “leva ao fechamento, à desconfiança em relação aos ‘outros’, aos que não pertencem à tribo, e que, portanto, devem querer nos explorar, nos destruir”. Por isso, entre nacionalistas e socialistas do Brasil, nasce a postura antiamericana e supostamente anti-imperialista que nos mantém entre as economias mais fechadas do mundo.

    O desenvolvimento do “jeitinho” e do culto ao “malandro”, se não unicamente, tem a ver, como Constantino elucida, com a forma como nossas instituições se organizaram, frágeis, submetidas a todos os tipos de pressão, presas de sistemas viciados e vítimas, sobretudo após o golpe republicano, de uma série de rupturas violentas. Porém, na maior parte do tempo, pesadas e ineficientes, atolando o cotidiano do brasileiro de “regras” – muitas delas inúteis, injustas ou que simplesmente “não pegam”. O “jeitinho”, de certo modo, se tornou um mecanismo de adaptação e “sobrevivência” no terreno hostil, e os “espertos” passaram, ao empregá-lo sistematicamente, a prevalecer sobre aqueles a quem Constantino, incluindo-se no grupo, chama de “otários” – os cidadãos decentes que procuram abrir mão desses truques para preservar o seu caráter.

    A lei Seca e a continuidade dos acidentes, o culto ao “coitadismo”, a exaltação a heróis tortos como Macunaíma e Lula, a glamourização da favela, a dificuldade em mexer na Previdência social, as bravatas do sindicalismo e o orgulho vazio do slogan “O Petróleo é nosso” são algumas das distorções que criaram terreno no Brasil e Constantino analisa como subprodutos dessa doença do “jeitinho”, do Estado nacional obeso e sua consequente quebra de padrões e de referenciais de valores.

    Os grandes trunfos do livro, aparentemente na opinião do próprio Constantino, estão, porém, nas suas duas últimas partes. A primeira, uma comparação que, residindo na Flórida há algum tempo, ele pôde fazer entre a maneira de encarar a sociedade, as regras e as instituições nas duas culturas. A última, uma análise, com base em dados numéricos e estatísticos, do fracasso do modelo de organização e dos efeitos da ode ao “jeitinho” nos índices nacionais. Constantino faz sua análise culminar numa crítica às elites, aos formadores de opinião, intelectuais e líderes financeiros e empresariais, como muito mais culpados do que o resto do povo do país pelo estado de coisas – algo com que, por exemplo, Carlos Lacerda já concordava nos anos 60.

    Reprovo todo tipo de crítica que, mais do que dura ou carregada de hipérboles, vai às raias do destrutivo e não pretende colaborar; fico feliz em dizer que não é o caso deste trabalho do Rodrigo Constantino. A leitura é totalmente válida, mesmo que ela possa nos fustigar e incomodar; o propósito é esse.

    Mais para o final, Rodrigo se pergunta: “dá para ter orgulho de ser brasileiro?”. Tento responder: estamos muito aquém do que poderíamos ser e enfrentando uma das fases mais negativas da nossa história. Temos qualidades, o autor sabe disso, e, embora vazadas para fora do recipiente, elas ainda estão aqui. O patriotismo tem muito mais a ver, essencialmente, com amor do que com orgulho; realmente não estamos tirando nota 10 nas provas mais importantes para podermos bater palmas para nós mesmos. Precisamos, pois, nos reformar; só o faremos a contento, porém, mobilizando as nossas potências internas, incluindo nesse bolo o que temos de melhor, a fim de sufocar as nossas misérias.

    “Brasileiro é otário” faz crítica necessária, ainda que dolorosa was last modified: março 25th, 2017 by Lucas Berlanza
    agosto 1, 2016 0 comentários
    1 Facebook Twitter Google + Pinterest
  • Eterna Vigilância

    Lula insistiu em declarar uma guerra que não pode vencer

    por Lucas Berlanza julho 29, 2016

    Alheio à realidade, pressionado pelo desespero, pela ansiedade, pelo furor da Justiça a solavancar o esquema de poder de que foi ícone e arquiteto, Lula já havia sinalizado o desejo…

  • Eterna Vigilância

    Nem os cangurus acharam graça da brincadeira de Eduardo Paes

    por Lucas Berlanza julho 25, 2016

    A preocupação com os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro já se tornou internacional faz tempo, e já não se esconde mais do mundo que o evento no país veio…

  • Eterna Vigilância

    Insegurança e autoritarismo continuam formando o casamento perfeito

    por Lucas Berlanza julho 23, 2016

    Antes de qualquer outra coisa, eu sei muito pouco sobre a Turquia. Não posso legislar na matéria como se passasse perto de ser um especialista. O que parece razoavelmente seguro…

  • Eterna Vigilância

    Haddad deixa claro que o PT é inimigo do Brasil

    por Lucas Berlanza julho 19, 2016

    Nas manifestações de rua mais recentes, já estava claro que as bandeiras do Brasil eram exibidas orgulhosamente pelo lado que pedia a deposição do governo mais moralmente e esteticamente medíocre…

  • Eterna Vigilância

    “A vida é muito curta”, mas longa o bastante para entender que “falar mal” pode ajudar o Rio

    por Lucas Berlanza julho 18, 2016

    Há alguns dias, um título curiosamente vem alternando sua presença em colunas e artigos de jornais falando sobre o Rio de Janeiro, com pequenas modificações: “a vida é muito curta”.…

  • Eterna Vigilância

    No Rio, terra sem lei

    por Lucas Berlanza julho 14, 2016

    Por esses dias, “esbarrei” com um comentário no Facebook de alguém que dizia ser problemática a atenção desmedida que as “mentes pensantes” brasileiras destinam aos grandes circuitos internacionais, ao Brexit,…

  • Eterna Vigilância

    O Globo e reitoria: aliados da perseguição na UFRJ

    por Lucas Berlanza julho 12, 2016

    Dias atrás, comentamos que o assassinato do estudante Diego Vieira Machado, na UFRJ, havia provocado os fascistas da universidade – os verdadeiros fascistas, entre professores e estudantes de DCE, que…

  • Resenhas

    “Democracia e socialismo”: os “tipos de democracia” na obra de Rosenberg

    por Lucas Berlanza julho 11, 2016

    É sempre uma aventura mergulhar nas páginas de livros de autores de esquerda. Quando se triunfa sobre as próprias resistências internas e se segue adiante, a experiência de imersão no…

  • Uncategorized

    Os ministros do STF precisam entender que não são deuses

    por Lucas Berlanza julho 8, 2016

    Nos meses em que ocorriam as grandes manifestações de rua contra o governo Dilma e o lulopetismo, os movimentos populares organizados exibiam bonecos infláveis ironizando personalidades da nossa política. Por…

  • 1
  • …
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • …
  • 47

Pesquisar

Sobre o Autor

Sobre o Autor

Lucas Berlanza

Lucas Berlanza Corrêa é jornalista formado pela UFRJ, gestor de mídias sociais, assessor de imprensa, carioca, insulano e tricolor (no futebol e no samba). Escreveu por breve tempo sobre as escolas de samba do Rio para uma revista de entretenimento, e depois se voltou para a política em seu trabalho pelo Instituto Liberal. Neste último campo, gosta de dizer – e cada um que julgue com que propriedade – que se inspira no velho Whiggismo burkeano, devidamente pintado, porém, com as cores e a realidade do Brasil. É um “lacerdista tardio” e, como tal, não pretende, nem pode, desistir do Brasil. Saiba mais

Curta nossa Fan Page

Popular Posts

  • Os ministros do STF precisam entender que não são deuses

    julho 8, 2016
  • Lula insistiu em declarar uma guerra que não pode vencer

    julho 29, 2016
  • A tragédia de Orlando: Donald Trump tem razão

    junho 13, 2016
  • Relatos da boca do Inferno: um estudante de direita em uma universidade brasileira

    junho 4, 2017

Redes Sociais

Facebook Twitter Google + Linkedin Youtube
  • Facebook
  • Twitter
  • Google +
  • Linkedin
  • Youtube

@2016 - All Right Reserved. Criação de Sites: RHOdesign