Há quem, a despeito de seu passado como terrorista, se apiede de Dilma Rousseff, agora presidente afastada, sobretudo levando em conta seus dotes intelectuais nada privilegiados. Há quem, a despeito dos relatos sobre sua personalidade mandona, enxergue em Dilma uma marionete acéfala, manipulada pela cúpula lulopetista e por Lula nos últimos anos. Ela seria apenas uma pobre coitada. Além de isso não elevar muito a sua hipotética dignidade, absolutamente não me parece plausível endossar essa versão sem um exame mais atento.
Dilma Rousseff me parece agir como uma autêntica sociopata, independentemente do fato de ser uma ou não, clinicamente falando. Avaliando as descrições vulgares que localizo nos portais que abordam o assunto, por mais que eu não seja psicólogo e não queira passar por perito no tema, ela parece se enquadrar em muitos pontos. Estamos acostumados a ver aqueles psicopatas charmosos e brilhantes dos filmes, mas ao contrário deles, parece que o sociopata não é assim. Diz-se que os sociopatas têm um ego exagerado, não sentem remorso ou vergonha, parecem incapazes de sentir culpa; podem ser irritadiços, sujeitos a explosões de raiva. Essa postura mais impulsiva e explosiva os diferenciaria dos psicopatas propriamente ditos, bem como a capacidade maior de se envolverem afetivamente com pessoas ou grupos particulares – embora desprezem os sentimentos e sofrimentos dos outros.
As explosões de fúria e os descontroles de Dilma são conhecidos de quem noticia os bastidores de seu governo. Um sem-número de colunistas menciona os rompantes de xingamento e autoritarismo exibidos pela presidente. É claro que ela é uma péssima administradora e pode ter sido levada por determinadas direções mediante influência alheia, mas sua personalidade não é de quem se dobra tão facilmente ao controle externo. Dilma parece gostar de mandar, gostar de se sentir no topo, no auge.
Sob nenhum aspecto, porém, ela parece mais sociopata do que no pendor para matraquear mentiras, as mais sórdidas, sem nenhuma preocupação com às ofensas à boa-fé de toda uma população que sofre as consequências dos seus malfeitos e do seu desapreço pela verba do pagador de impostos. A semana que passou mostrou isso como poucas.
Enfim fora do poder, limitada a seu bunker e ao papel de circular por aí para denunciar aquilo que pinta e borda como sendo um “golpe”, Dilma resolveu abrir a boca exatamente quando o governo Temer liberou a informação do valor do rombo fiscal deixado por ela, com que sua gestão terá de trabalhar: nada menos que os assustadores R$170, 5 bilhões. O maior rombo da história nacional, que consegue pôr em risco as reais conquistas econômicas que o país obteve nas últimas décadas.
E o que diz Dilma, defrontada com a arrasadora verdade dos algarismos quase apocalípticos? Em matéria em destaque no portal de O Globo, ela diz que Michel Temer conseguiu causar um “estrago enorme” na Previdência. Sim, Michel Temer – o mesmo que foi, como vice-presidente de Dilma, elogiado e enaltecido pela própria -, em sua SEMANA de governo, quando não teve tempo para fazer mais do que colocar o assunto em debate, provocou um “estrago enorme”. Os 170,5 bilhões? Parecem ser, para Dilma, um detalhe muito menor. Tamanho holocausto orçamentário, para Dilma, não diz nada sobre seu próprio caráter, sua própria gestão, seus próprios erros. O “não-governo” de Temer – porque, com todo o respeito, nem sequer houve ainda um governo propriamente dito, que fez pouca coisa até agora mais do que vasculhar e expor os números reais do Apocalipse chamado Dilma Rousseff -, este já provocou, em apenas uma semana, um “estrago enorme”. Podemos repetir ao infinito essa conjugação de termos – “estrago enorme” -, que isso não diminuirá o cinismo doentio da coisa toda. Como tratar isso de uma forma mais amena, mais “bonitinha”? Que outra coisa isso é que não sociopatia?
Em um discurso barulhento para blogueiros e simpatizantes, Dilma repetiu, também nesta semana que passou, suas piadinhas sem graça, falhas e imbecilidades típicas. Nada nos chamou mais a atenção, entretanto, do que o fato de ela reforçar sua acusação de ilegitimidade ao governo Temer com o argumento de que o programa de governo que ele está sinalizando aplicar não foi submetido às urnas, e contraria o que foi prometido pela chapa PT-PMDB, na qual ambos estiveram juntos nas eleições de 2014.
Sim, senhoras e senhores. A maior estelionatária eleitoral do Universo, uma mentirosa que destroçou as finanças públicas e moveu céus e terras para criar um país paradisíaco existente apenas nas propagandas, acusou Temer de ser infiel, na realidade, aos sonhos que os partidos de ambos ousaram vender na campanha. A acusação é até verdadeira; mas por que Dilma não consegue em momento algum olhar para si mesma? Por que não vê que é a maior culpada dos crimes que imputa aos outros?
Como não tenho formação profissional para isso, não vou baixar nenhum decreto. Sociopata, louca, simplesmente uma pessoa de baixíssimo valor, não importa. A certeza é de que ficaremos muito melhor sem a figura lamentável de Dilma Rousseff no Palácio do Planalto e no Palácio do Alvorada. Que esses sejam os estertores das suas bravatas, e que o Senado as faça cessar, e a imprensa possa parar de alardeá-las e importunar nossa sanidade mental.


2 comentários
É difícil para pessoas da área da saúde, como eu, conseguir dialogar com textos que estão mais preocupados em desqualificar pessoas pelo viés da saúde mental do que apresentar fatos e viabilizar novos modos de pensar. Não dispenso ler perspectivas e pontuações diferentes das quais me constituem, mas é problemático textos jornalísticos, tais como esse, promoverem dois tipos de coisa: desqualificação e desconhecimento dos diferentes modos de subjetivação e dos transtornos de personalidade existentes e o fato de não conseguirem se por no lugar do “não -saber”, pois tratam com banalidade questões que não são de suas áreas de conhecimento e, visivelmente, questões pelas quais não são sensíveis. Como veículo de informação, produção de modos de pensar e ver o mundo, me enoja o fato de não se setir implicados com a produção que de fazem através de textos de teorias normativas, pautadas em saberes por ouvi dizer, mas mais que isso, pois sei que não é ingênua essa propagação.
É difícil e se torna cada vez mais difícil aceitar que o jornalismo não esteja pressupondo articulação com diversos campos de conhecimento, justamente para continuar reproduzindo os mesmos modos binaristas e excludentes, através da patologização de uma pessoa, a qual desconhecem, simplificando toda a tensão que há entre a personalidade e, principalmente, denotando um caráter pejorativo a esse modo de subjetivação, como justificativa para atos da pessoa em questão.
É preciso que se apropriem desse lugar de “não -saber”, pois aqui não se sabe visivelmente nada sobre saúde mental e transtornos de personalidade para, sendo bem clara, parar de falar merda sobre o que não te apetece e não sabe nada.
De fato, você não é um psicólogo. Se fosse saberia que nem sendo um psicólogo, poderia diagnosticar uma pessoa (sim, você diagnostica pois não existe “clinicamente” falando ou não, pois ao se apropriar de um termo clínico, você se põe nesse lugar) e, suas justificativas, “não queira me passar por perito no tema”, são ilógicas, visto que se você não quer passar por especialista no tema, não fale nele. Se falar, onde estão as fontes? Quem falou? Que profissional afirmou que as características de Dilma (vistas via meios de comunicação) lhe conferem uma atribuição no CID? Possivelmente se procurar encontrará algum psicólogo que ache que possa diagnosticar alguém (o que não pode) e principalmente uma pessoa que nunca viu na vida, pois há gente que desconhece seu próprio trabalho e seu código de ética profissional. No entanto, nem esse estatuto seu embasamento tem. Não, você nao tem capacidade de “enquadrar” ninguém em certos pontos, nem eu, nem nenhum psicólogo, quiçá um médico psiquiatra via internet, via televisão, via facebook.
Não precisa ser jornalista pra banalizar a clínica. Um próprio psicólogo pode vir a se prestar esse papel, o que acontece com muita frequência. Muitas outras profissões banalizam a clínica e, realmente, estou longe de impor um especialismo clínico psicológico onde só psicólogos falam sobre as pessoas, mas quando alguém se apropria de termos CLÍNICOS como se os tivesse estudado para além de pesquisas no google e senso comum, é um tanto quanto problemático, entender como se a psicologia fosse passível de ser apreendida com uma olhadinha no google.
Já dá medo quando nós, da área da saúde, nos apropriamos desse termo e passamos a naturaliza-los, quanto mais pessoas que nunca nem sequer se debruçaram sobre esses temas. Repito: nosso objeto de estudo é a psique, o comportamento, seja qual abordagem, objetos relativos ao homem, coisas que perpassam a todos, não só a nós. Mas, mesmo assim, as palavras que nos introduzimos carregam mundos de significação, os conceitos, precisam ser pensados antes de serem usados, ainda mais se forem propagados, veiculados em massa. Promove ainda mais o desconhecimento das pessoas a cerca da clínica, da psicologia e dos transtornos de personalidade.
Fica registrada aí a sua “queixa”, para a avaliação de quem possa crer que ela é de algum modo pertinente.