A Universidade do Estado do Rio de Janeiro, idealizada por Carlos Lacerda quando de seu governo do estado da Guanabara, vive um senhor problema nos dias atuais. A instituição vem sendo uma das maiores penalizadas pela crise fiscal do estado do Rio de Janeiro, tendo problemas estruturais, orçamentários e políticos desde meados de dois mil e quinze. Seus administradores buscam responsabilizar o governo do estado por todos os problemas, todavia alguns dos problemas são causados por aqueles que deveriam gerir a instituição e defender seus interesses.
Alguns destes problemas serão apresentados neste artigo, para que o cidadão fluminense que sustenta a instituição tenha conhecimento do que vem acontecendo atualmente na universidade.
- Orçamento alto, distribuição de menos
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro tem um orçamento vultuoso. A Lei Orçamentária Anual aprovada no ano passado – em vigência neste ano – prevê R$ 1,153 bilhão. Este valor é o mesmo do orçamento total da cidade de São Gonçalo, segunda maior cidade em população do estado do Rio de Janeiro. Deste valor, cerca de R$ 820 milhões são utilizados para realizar o pagamento de sua folha salarial, com cerca de 1.960 professores e 4.519 técnicos administrativos, segundo estudo do DataUerj de 2014. A média salarial na instituição, já contando com o 13º Salário, é de R$ 9.735,59. Com isso, o custeio da universidade é comprometido, fazendo com que importantes serviços prestados pela Uerj, como a manutenção do Hospital Universitário Pedro Ernesto, sejam comprometidos. Tal maneira de se dividir os recursos orçamentários pode causar uma tragédia como a do incêndio no Museu Nacional, administrado pela UFRJ.
- Uso político da instituição
Não é recente o fenômeno de uso do aparato estatal para favorecer partidos e políticos de esquerda. Seja universidade federal seja estadual, professores e alunos utilizando-se do espaço público para difundir ideias socialistas, acreditando que aquele espaço deve ser aproveitado em benefício próprio e não da sociedade. Aqueles que não acreditam no pensamento de esquerda são achincalhados e sofrem perseguição na academia, sendo boicotados em projetos de pesquisa e sofrendo com o assassinato de reputação por parte do corpo diretivo das universidades. Tal ação vem se intensificando neste segundo turno da eleição presidencial, em que alunos que declaram voto no presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) vêm sendo humilhados nas instalações universitárias e nas redes sociais.
- Visão anti-empresarial
Mesmo com o problema orçamentário que a Uerj vive, quase a totalidade de seus administradores são contra parcerias público-privadas que poderiam trazer recursos para a universidade, defendendo uma visão estatizante na qual o pagador de impostos é achincalhado pelo governo para pagar uma quantidade absurda de tributos e manter uma máquina estatal pesada. Diversas empresas já tentaram investir em conjunto com a Uerj, contudo alunos e professores acabam “expulsando” ou desencorajando futuros investidores. Além disso, ressalta-se a formação de caráter marxista que não prepara o futuro profissional para o mercado de trabalho, preferindo formar uma falsa consciência crítica tratando quem gera emprego e desenvolvimento como uma pessoa gananciosa e que deseja explorar seus funcionários. Recentemente, o candidato a governador do estado Wilson Witzel (PSC) começou a sofrer perseguições por parte de professores e alunos da Uerj ao defender cooperação em projetos de desenvolvimento na área de ciência e tecnologia entre empresas e a universidade. Sofreu uma falsa acusação de defesa de uma possível privatização da instituição. Em vez de defender parcerias que poderiam fomentar o desenvolvimento da Uerj, o corporativismo e o partidarismo de esquerda tomam conta da visão dos acadêmicos fluminenses.
- Malandragens salariais
A Uerj também vem sendo marcada por escândalos de corrupção por parte de seus quadros. Em 2014, os filhos da deputada federal e ex-governadora do Rio de Janeiro Benedita da Silva (PT-RJ) se tornaram réus por improbidade administrativa ao fraudarem processo administrativo para justificarem o recebimento de valores que totalizam cerca de R$ 143 mil sem nunca terem pisado na universidade. Recentemente, o professor e diretor da Faculdade de Direito da Uerj Ricardo Lodi – advogado da então presidente Dilma Rousseff durante o processo de impeachment – abriu concurso para professor titular da disciplina de Direito Financeiro da instituição sem autorização do Governo do Estado para beneficiar a si mesmo, concorrendo a uma das vagas e podendo, assim, aumentar seus vencimentos. Tal concurso foi suspenso pela justiça.
A Uerj é um patrimônio da população do estado do Rio de Janeiro e não pode ser tratado de maneira vil por seus comandantes. Carlos Lacerda, ao lançar a pedra fundamental da instituição, desejava fazer do Rio de Janeiro um centro intelectual com um forte desenvolvimento técnico-científico. Todavia, a mentalidade anticapitalista de seus professores e alunos vem tornando a Uerj uma caricatura de si mesma, onde o consumo de drogas é permitido, os princípios constitucionais da Administração Pública são chutados e o dinheiro dos pagadores de impostos serve para financiar devaneios socialistas. Chega a ser irônico ver as pessoas que dilapidam a instituição utilizarem a hashtag #UerjResiste, quase uma confissão de que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro resiste há tempos à má gestão e ineficiência comunista.

