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    Caixa Econômica Federal e o uso político do futebol

    Escrito por Jefferson Viana

    Não é de hoje que o governo brasileiro faz do futebol uma forma de autopromoção e garantia de apoio. Getúlio Vargas realizava seus discursos no estádio de São Januário. Juscelino Kubitschek e Emílio Garrastazu Médici buscaram promover seus governos através com títulos da seleção brasileira ganhos nas Copas de 1958 e 1970. Políticos influenciaram os regulamentos do Campeonato Brasileiro nos anos 1970 e 1980 em troca de apoio político a ponto de gerar a expressão “Onde a ARENA (partido de sustentação do governo militar) vai mal, mais um time no nacional; onde a ARENA vai bem, mais um time também”.

    Porém, esse processo se intensificou a partir dos anos 2000, quando políticos com ligações ao PT começaram a articular com o governo federal para levar dinheiro público aos seus clubes de coração. Em 2007, o senador alagoano e torcedor do Botafogo Renan Calheiros foi um dos principais articuladores do patrocínio da Liquigás (distribuidora de gás de cozinha da Petrobras) ao time de General Severiano. Em 2009, o governador do Rio de Janeiro, à época, e atual presidiário Sérgio Cabral participou ativamente da negociação que levou a Eletrobrás a ser patrocinadora do Vasco.

    A partir de 2011, com a chegada de Dilma Rousseff ao Planalto, a ajuda a clubes de futebol por meio de patrocínios da Caixa Econômica Federal passou a ser realizada de maneira inicialmente tímida, patrocinando, no ano de 2012, Atlético Paranaense e Corinthians (clube mais beneficiado pelos governos do Partido dos Trabalhadores). Já no ano seguinte, Vasco, Flamengo e Coritiba passaram a contar com os aportes da CEF. No ano da reeleição de Dilma Rousseff, o banco passou a patrocinar, além dos clubes mencionados, também Chapecoense, Vitória, Sport e Figueirense. A desculpa utilizada pela rainha da mandioca era fortalecer a parceria com o futebol brasileiro, mas na verdade ajudava a manter apoio político, visto que muitos políticos têm influência nos clubes de futebol, assim garantindo, por meio da troca de favores, o apoio de parlamentares e chefes do executivo.

    Todavia, desde 2015 o número de clubes com patrocínios da Caixa Econômica Federal cresceu de maneira vertiginosa, inclusive patrocínios a clubes de divisões de acesso do futebol brasileiro, sempre tendo a influência política como marca. No ano passado, entre os clubes da primeira divisão, apenas São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Vasco, Fluminense e Chapecoense não tinham patrocínios de nenhuma empresa estatal – Grêmio e Internacional são patrocinados pelo Banrisul (banco estadual) – contando apenas os clubes da primeira divisão. Na Série B, a Caixa Econômica Federal patrocinava Atlético Goianiense, Avaí, Londrina, Coritiba, Goiás, Sampaio Corrêa, Criciúma, Vila Nova, Fortaleza, CSA, CRB e Paysandu, totalizando no ano passado R$ 127,8 milhões em gastos publicitários.

    Com a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República e a indicação de Paulo Guedes para o Ministério da Economia, a atual política de publicidade do governo tem sido revista. A nova diretoria da Caixa Econômica Federal já comunicou a diversos clubes que não irá renovar contratos de patrocínio, causando medo em seus dirigentes em um cenário no qual, raras exceções, o investidor privado não investe em patrocínios esportivos por causa do cenário de crise pelo qual o país ainda atravessa. Uma medida acertada do novo governo, uma vez que o dinheiro dos pagadores de impostos deve ser utilizado para o atendimento dos serviços básicos e não para patrocinar times de futebol em jogadas totalmente politiqueiras que beneficiam apenas políticos com ligações umbilicais aos clubes, deixando a conta para os trabalhadores brasileiros pagadores de impostos, os maiores derrotados.

    Caixa Econômica Federal e o uso político do futebol was last modified: janeiro 11th, 2019 by Jefferson Viana
    janeiro 11, 2019 0 comentários
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Lucas Berlanza

Lucas Berlanza Corrêa é jornalista formado pela UFRJ, gestor de mídias sociais, assessor de imprensa, carioca, insulano e tricolor (no futebol e no samba). Escreveu por breve tempo sobre as escolas de samba do Rio para uma revista de entretenimento, e depois se voltou para a política em seu trabalho pelo Instituto Liberal. Neste último campo, gosta de dizer – e cada um que julgue com que propriedade – que se inspira no velho Whiggismo burkeano, devidamente pintado, porém, com as cores e a realidade do Brasil. É um “lacerdista tardio” e, como tal, não pretende, nem pode, desistir do Brasil. Saiba mais

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