Estudantes…jovens, céleres, rebeldes e exaustos! Onde andam suas cabeças, seus corpos, suas canções? Por que tentam em vão angariar simpatia pelos seus atos despropositados e infantis? Por que acatam discursos eivados de ódio, de hipocrisia e, por que não dizer, de alienação? Onde andam seus pais, seus tutores, seus guias? Quem são seus exemplos de vida? Onde andam os espelhos dignos nos quais se deveriam mirar ao invés de se lançarem a uma rebeldia inconsequente?
Nem toda luta é inglória, nem toda rebeldia é vã. Mas há de se saber lutar, há de se saber o porquê da luta, suas causas, suas consequências, seus meios. Vivemos em um país democrático, digam o que disserem, corrompam as palavras como lhes aprouver. Por isso mesmo, o que estamos vivenciando com essa onda de ocupações de escolas e universidades pelos estudantes é apenas uma certa tontura de mentes confusas que buscam um sentido para suas vidas em uma causa política qualquer. Se não concordam com tal ou qual reforma, então que argumentem, que exponham suas opiniões, que deem soluções, mas que respeitem as leis que regem esse país e mantenham-se dentro do limite do direito, que é o limite próprio dos Estados democráticos, cujas instituições não podem estar à mercê de ideologias, de humores, de descontroles e ímpetos juvenis.
Há algum tempo, quando comecei a escrever esse tipo de artigo, lancei um apelo para que os estudantes do Brasil fizessem eco à luta dos estudantes venezuelanos. Naquela ocasião, um estudante de 14 anos havia sido morto pela Guarda Nacional Bolivariana com um tiro na cabeça. Conseguem entender a diferença? Enquanto aqui os policiais estão tentando isolar as manifestações em si mesmas violentas, lá a violência parte de um aparato estatal militar gigantesco que atropela os pais de família, os estudantes, as mães e esposas de presos políticos que vão às ruas desesperados com a escassez de alimentos e remédios, com o caos social, com as inúmeras injustiças decorrentes dos anos de chavismo e de governo despótico e incompetente de Nicolás Maduro. O que mais é diferente? Aqui no Brasil temos políticos presos, ou seja, políticos que cometeram crimes e estão sendo punidos adequadamente; lá temos presos políticos, ou seja, indivíduos que se manifestaram contra um tirano e foram presos por expressarem sua opinião.
Há no Brasil injustiças? É claro que há. Há no Brasil fatos que precisam ser questionados, ideias que precisam ser defendidas? Claro que há. Mas há aqui certa ordem, há um funcionamento relativamente equilibrado dos poderes, o que, inclusive, evitou que a nossa nação tivesse o mesmo destino dramático desse país vizinho. Não sou contra manifestações. Também tenho uma intensidade de luta, mas a mim parece claro que há lutas e lutas…algumas por si sós reclamam o nosso ardor e outras nos fazem bocejar de tédio pela repetição de seus clichês vazios, pela falta de lucidez daqueles que as empreendem. Neste momento, pois, em que os estudantes brasileiros ocupam escolas e universidades, mais uma vez declaro meu apoio aos estudantes venezuelanos que realmente precisam de coragem para lutar contra uma ditadura que foi e é apoiada pela ideologia à qual se vinculam aqueles que por aqui fazem barricadas nas portas de escolas e queimam pneus em estradas. Declaro também meu apoio aos estudantes que continuaram simplesmente estudando em meio a toda essa balbúrdia de ocupação provocada pelos desocupados. Há sempre aqueles para quem a vida é dura e que veem no estudo uma ferramenta de melhoramento de si e de sua condição social. Há sempre aqueles para quem a escola e a universidade são lugares de aprendizado e não laboratório de subversão.
Não nos interessa tanto a política, senão a sua má utilização nas mãos daqueles que fazem dela profissão de fé. Acreditamos que o amadurecimento interior e o desenvolvimento moral do indivíduo é que faz a diferença e que o reflexo disso na sociedade é mais profícuo que as revoluções. Não acreditamos naqueles que convulsionam o social sem conhecerem a si mesmos e que querem impor à força bruta as suas ideias ou irreflexões. Sou adepta do estilo de Gandhi que soube vencer um império e conquistar a liberdade do seu povo sem um único ato de violência. Cada qual com seus exemplos. Temos muitos. Quando no Brasil estes já não forem Che Guevara, Carlos Mariguella ou coronel Brilhante Ustra, creio que estaremos em dias melhores.

