A greve dos caminhoneiros causa diversos transtornos em todo o território nacional. Crise de desabastecimento, filas intermináveis em postos de gasolina e diminuição da frota de transporte público nas ruas são as maiores consequências da paralisação iniciada nesta semana. A história brasileira mostra como decisões políticas tomadas nos anos 1950 ajudaram a pavimentar o cenário de caos vivido nos dias atuais.
Em 1953, ainda sobre a égide do aspirante a tirano Getúlio Vargas, a Lei Federal 2004/1953 criava a Petróleo Brasileiro S.A, também conhecida como Petrobras. A lei concedia o monopólio da extração e refino de petróleo para a estatal recém-criada, proibindo que outras empresas pudessem instalar refinarias e extrair petróleo – tudo em nome do estatismo exacerbado. A Constituição Federal de 1988, apelidada de “Carta de Papai Noel”, consagrou tal monopólio, praticamente inviabilizando o mercado de combustíveis no Brasil.
Com a centralização do governo sobre os combustíveis, os ocupantes de cargos no executivo federal passaram a agir de maneira populista em seu preço, sobretudo com os seguidos congelamentos de preços realizados desde a criação da Petrobras. O caso mais recente ocorreu durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que congelou os principais preços administrados pelo governo federal: combustíveis, energia elétrica e tarifas postais – para maquiar o cálculo do índice de inflação. O resultado ficou visível logo após a reeleição de Dilma em 2014, quando a realidade bateu à porta e aumentos cavalares precisaram ser realizados, atestando de vez a crise econômica da qual o país vem se recuperando a passos ainda curtos.
Outra decisão errada tomada nos anos 1950 foi o incentivo dado pelo governo federal ao modal rodoviário para transporte de cargas. Tal política foi realizada durante a gestão de Juscelino Kubitschek (1956 – 1960), com a construção de grandes rodovias em detrimento da malha ferroviária existente. Em países com grande extensão territorial como o Brasil, o modelo ferroviário para transporte de cargas é o mais econômico, devido à grande capacidade de carga dos vagões e o custo mais baixo de tal modal.
Tal decisão errada do governo JK fez com que a malha ferroviária brasileira fosse desmontada e fez com que o país adotasse o transporte de cargas via caminhões como principal meio de transporte de cargas até os dias atuais. O monopólio estatal na extração e refino de combustíveis, aliado a fatores como a alta carga tributária incidente nos energéticos (ICMS, PIS-COFINS e CIDE), a insegurança nas estradas país afora, a condição lamentável das estradas, a ausência de grandes ferrovias e o populismo no tocante aos preços administrados pelo governo fizeram com que uma bomba-relógio que estava prestes a explodir fosse detonada.
Tomadas de decisão como essas realizadas nos anos 1950 deixaram um rastro de atraso no país, cujo governo cada vez mais toma conta da vida dos cidadãos. A combinação monopólio estatal/administração de preços pelo Estado gera efeitos catastróficos para a vida das pessoas como as consequências do Plano Cruzado nos anos 1980 e atualmente com os prejuízos vividos com a greve dos caminhoneiros.
O Brasil não pode continuar preso a um passado arcaico em nome de concessões para sindicatos e partidos de esquerda. As reformas administrativa, tributária, fiscal e previdenciária precisam ser realizadas para ontem, para que o Brasil entre de vez no século XXI e possa caminhar rumo ao desenvolvimento, com cada vez menos ingerência do Estado nas relações pessoais e empresariais. Assim, o país não permanece refém da vontade de grupos políticos que desejam apenas se manter no poder.


2 comentários
Essas reformas do último parágrafo só são viáveis se realizadas por políticos de verdade. Os que temos por aí são uma maioria absoluta de aproveitadores.
Ou se faz uma reforma política dec2nte ou não há possibilidade lógica de mudança.
Em que sentido e em que medida se dá essa “ingerência” Estatal na vida pessoal? Eu concordo que o Estado precisa sim ser diminuído e que se desburocratize para dar espaço aos micro e pequenos empresários, mas não sou a favor de minarquismos como característica político-econômica.
No plano social e cultural acho que o Estado precisa ser o mínimo possível de interferências, mas agindo como regulador de perversidades jurídicas (lawfare), econômicas (despotismo e patronato trabalhistas) e sociais (como as barreiras no tocante à permissão do casamento gay, ampliação dos direitos humanos etc).